Cinco mitos sobre o 11 de Setembro

Teses equivocadas sobre os ataques e suas consequências persistem, apesar de tantas análises sobre as motivações e as respostas aos atentados

Brian Michael Jenkins, The Washington Post, O Estado de S.Paulo

05 Setembro 2011 | 00h00

ESPECIAL: Dez Anos do 11 de Setembro

 

Todos nós lembramos onde estávamos em 11 de setembro de 2001. Na década seguinte, comissões, filmes, livros ou reportagens não conseguiram acabar com conceitos errôneos sobre o que significaram os ataques, a resposta dos EUA e a ameaça ainda existente. Vamos abordar mitos persistentes.

1. Os ataques eram inimagináveis: Em 2002, a Casa Branca descreveu o 11 de Setembro como "um novo tipo de atentado, que não tinha sido previsto". Mas a possibilidade de aviões sequestrados se espatifarem contra prédios não era algo inimaginável. A ideia remonta a, no mínimo, 1972, quando piratas do ar mataram um copiloto da Southern Airways e ameaçaram lançar o avião contra uma usina nuclear no Tennessee.

2. Os ataques foram um sucesso estratégico para a Al-Qaeda: Eles foram audaciosos, sem precedentes e um sucesso tático - mas também um erro estratégico. Para Osama bin Laden, a intenção dos ataques era fazer com que os EUA saíssem do Oriente Médio. Muitos comandantes da Al-Qaeda previram, porém, que o país concentraria sua fúria no grupo terrorista e em seus aliados. Quando isso ocorreu, Bin Laden disse que sua intenção havia sido fazer com que os EUA entrassem em uma guerra que inflamaria todo o Islã contra o país - o que também não ocorreu.

3. Washington reagiu desproporcionalmente: Na década posterior ao 11 de Setembro, os EUA sofreram menos ataques terroristas do que em qualquer outra desde os anos 60. Na ocasião, contudo, era necessária uma ação imediata. E isso implicava reforçar a inteligência, aumentar a segurança interna e usar força militar no exterior. O fato de a invasão do Iraque ter sido retratada como parte da guerra global contra o terrorismo - para se conseguir apoio político interno - não tornou a reação exagerada. Na verdade, a guerra se traduziu num enorme desvio de recursos da luta contra os terroristas e um favor prestado à Al-Qaeda para prosseguir com seu recrutamento.

4. Um ataque terrorista nuclear é quase inevitável: Diante dos atentados, a capacidade nuclear da Al-Qaeda tornou-se obsessão. Em 2008, o então diretor da CIA, Michael Hayden, definiu a organização como preocupação nuclear "número um". Mas não há nenhuma evidência de que a Al-Qaeda possua esse armamento.

5. As liberdades civis nos EUA foram dizimadas: A Constituição foi mantida. A prisão preventiva de suspeitos de atos terroristas, um procedimento comum em inúmeros países democráticos, foi rejeitada. Os valores americanos, porém, não prevaleceram no tratamento de combatentes e suspeitos estrangeiros, que foram mantidos em prisões secretas, sofreram torturas ou foram submetidos a interrogatórios sob coação. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

É COEDITOR DO LIVRO THE LONG SHADOW OF 9/11: AMERICA'S RESPONSE TO TERRORISM

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