Cinco morrem em protestos no Egito

Irmandade critica candidatura de Sissi à presidência; jornalista está entre as vítimas

CAIRO, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2014 | 02h03

Pelo menos cinco pessoas morreram ontem no Egito durante confrontos entre forças de segurança, simpatizantes da Irmandade Muçulmana e moradores do Cairo. Entre as vítimas está a jornalista egípcia do jornal Al-Dustur Mayada Ashraf. As manifestações foram uma reação ao anúncio, na quarta-feira, de que o marechal Abdel Fatah al-Sissi, líder do golpe de 3 de julho, será candidato na eleição presidencial.

O porta-voz de emergências do Ministério de Saúde egípcio, Khaled al-Khatib, disse que outras 18 pessoas ficaram feridas na capital e mais quatro em Damieta, onde também ocorreram confrontos entre a polícia e os manifestantes.

Em nota, o ministério do Interior culpou "homens armados da Irmandade" pelas mortes. O governo disse também que os simpatizantes do grupo, banido depois da queda do presidente Mohamed Morsi, teriam usados armas com munição de chumbo e mísseis. Pelo menos 79 pessoas foram presas durante os protestos.

Segundo uma fonte de segurança, membros da Irmandade Muçulmana dispararam contra os moradores, incendiaram pneus e lançaram coquetéis molotov contra policiais.

O Al-Dustur noticiou a morte de Mayda em seu site. A jornalista, de 22 anos, teria levado um tiro na cabeça enquanto fazia uma reportagem sobre os confrontos no bairro de Ein Shams, segundo uma autoridade de segurança local. A representante do Sindicato Egípcio de Jornalistas, Abir Saadi, em entrevista à agência oficial de notícias Mena, pediu a abertura de uma investigação urgente sobre a morte de Mayada.

No bairro de Ein Shams, os manifestantes gritaram palavras de ordem contra o Exército, a polícia e Sissi. Apesar de a Irmandade Muçulmana organizar manifestações toda sexta-feira para pedir a restituição de Morsi, as manifestações de ontem tiveram como objetivo principal criticar a candidatura do marechal.

Fachada. A chamada Aliança para a Defesa da Legitimidade, liderada pelo grupo, afirmou, na quinta-feira, que a candidatura do marechal fez "cair a máscara do rosto do líder do golpe de Estado".

Antes da morte de Mayada, o comitê de proteção a jornalistas informava que nove profissionais haviam sido mortos no Egito desde a revolta popular que tirou do poder o ditador Hosni Mubarak, no início de 2011.

A Comissão Eleitoral egípcia, presidida por Anwar Rashad Asi, anunciará amanhã a data das eleições presidenciais. Em comunicado publicado pela agência oficial Mena, o organismo indicou que realizará várias reuniões entre hoje e amanhã para debater detalhes antes de abrir a convocação da candidatura às eleições presidenciais.

O comitê está atualizando a base de dados dos eleitores para verificar a lista dos cidadãos que têm direito a participar da vida política, entre eles os que completaram 18 anos e policiais ou oficiais das Forças Armadas que tenham renunciado a seu cargo, como Sissi. / EFE, REUTERS e AP

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