Cinco mortos e 14 hospitalizados em protestos em Urumqi

A situação nas ruas de Urumqi estava "basicamente sob controle", quando mais de mil pessoas enfrentaram a Polícia, que usou gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes

EFE

05 de setembro de 2009 | 04h24

Cinco pessoas morreram e outras 14 foram hospitalizadas na quinta-feira passada durante os protestos maciços contra os ataques com seringa vividos esta semana em Urumqi, capital da região noroeste chinesa de Xinjiang, segundo confirmou a imprensa oficial.

 

Em entrevista coletiva realizada na sexta-feira à noite o vice-prefeito de Urumqi, Zhang Hong, confirmou os cinco falecimentos e assegurou que dois deles eram "civis inocentes", enquanto o resto ainda está sem identificar.

 

Segundo recolheu a agência oficial de notícias "Xinhua", Zhong acrescentou que a situação nas ruas de Urumqi estava "basicamente sob controle", apesar da própria agência oficial reconhecer vários protestos e distúrbios, sexta-feira, quando mais de mil pessoas enfrentaram a Polícia, que usou gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes.

 

O político também expôs que os misteriosos ataques com seringas foram premeditados e organizados "para criar terror" e elevou o número de feridos por este tipo de agressão a 531 pessoas, a maioria delas de etnia Han.

 

"As 'três forças' (separatismo, terrorismo e extremismo) de dentro e fora do país não querem reconhecer a unidade étnica e seu fracasso nas revoltas de 5 de julho - que causaram pelo menos 197 mortos -, portanto estão usando 'violência de baixa intensidade' para alterar a ordem social e instigar o ódio étnico", acrescentou.

 

O ministro chinês de Segurança Pública, Meng Jianzhu, deslocado a Urumqi para coordenar pessoalmente o trabalho policial, afirmou que os ataques com seringas foram instigados pelas forças separatistas.

 

Por sua vez, as autoridades locais de Urumqi, proibiram as passeatas, manifestações e protestos na região, dividida entre chineses han e uigures, com o objetivo de manter a estabilidade.

 

Desde na quarta-feira, os protestos contra estes ataques e os manifestantes, em sua maioria chineses han, pediam também a renúncia do secretário do Partido Comunista na região, Wang Lequan, um protegido do presidente Hu Jintao, ao que acusam de incompetência para garantir a segurança cidadã.

 

Xinjiang esteve habitada durante séculos pela etnia uigur de língua turca e credo muçulmano, até que os colonos chineses começaram a chegar à região depois da ocupação das tropas comunistas, em 1949, especialmente nas últimas duas décadas, até se transformar em um 50% dos habitantes.

 

Os uigures acusam ao Governo chinês de reprimir e segregar sua cultura, e de torturar seus membros ou executá-los sob falsas acusações de terrorismo, enquanto Pequim conseguiu incluir em 2001 uma das maiores organizações separatistas uigures na lista de grupos terroristas internacionais da ONU.

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