Akos Stiller / Bloomberg
Akos Stiller / Bloomberg

Cinco nomes para prestar atenção nas eleições do Parlamento Europeu

Votação deve ser marcada principalmente pelo crescimento de movimentos nacionalistas e eurocéticos

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2019 | 10h17

BRUXELAS - Cinco nomes devem desempenhar um papel importante nas eleições do Parlamento Europeu deste ano, que começam na quinta-feira. Desta vez, o pleito deve ser marcado principalmente pelo crescimento de movimentos nacionalistas e eurocéticos. Veja abaixo quais são os nomes de destaque.

O nacionalista Salvini

Homem forte do governo da Itália e chefe da extrema direita do país, Matteo Salvini busca unir os soberanos de cada país no Parlamento Europeu ao lado de sua “amiga” francesa Marine Le Pen.

Com 46 anos e oriundo de Milão, Salvini ingressou no órgão em 2004, onde ficou por dois anos, e voltou no fim da década de 2000, ficando até março de 2018, quando retornou à política italiana.

Sob sua liderança, o governo populista italiano se opôs firmemente à maioria de seus parceiros europeus, fechando os portos para os imigrantes resgatados no mar, e manteve seu pulso com a Comissão Europeia sobre o orçamento para 2018.

Com uma equipe de jovens fortes nas redes sociais, o partido de Salvini - La Liga - conta atualmente com cerca de 30% das intenções de voto.

O populista Orbán

Com seu partido Fidesz, o primeiro-ministro da Hungria, o nacionalista conservador Viktor Orbán - no poder desde 2010 -, quer reforçar seu controle sobre o país e sua imagem de figura da direita dura europeia.

Suspenso pelo Partido Popular Europeu (de direita) por seus ataques a Bruxelas e sua política migratória, o dirigente nacionalista nega intenção de abandonar a União Europeia (UE), de cujos fundos estruturais seu país se beneficia.

Orbán espera desempenhar um papel fundamental na recomposição da direita europeia, razão pela qual se aproximou do italiano Matteo Salvini, do partido austríaco FPO e do polonês PiS.

A mensagem de Orbán é clara: se a direita moderada rejeitar uma aliança com os “partidos patrióticos de direita” após as eleições, abandonará o Partido Popular Europeu, grupo mais poderoso há muito tempo e que conta com os democratas-cristãos da Alemanha e o Republicanos, principal partido de oposição na França.

O liberal Macron

O presidente francês, Emmanuel Macron, com um discurso pró-Europa desde a campanha que o levou à presidência em 2017, defendeu constantemente um “impulso da Europa”, apresentando-se como principal adversário dos líderes populistas europeus.

Com seu partido A República em Marcha, ele espera reforçar o centro do espectro político do Parlamento convocando os europeus a “construir uma grande coalizão de progressistas” frente “àqueles que querem destruir a Europa”.

O grupo deve se aliar aos liberais da Aliança dos Liberais e Democratas pela Europa (Alde) para desempenhar um papel-chave no órgão e na distribuição de altos cargos nas instituições europeias.

Ao trabalhar por uma maior integração e mais reformas, Macron quer um orçamento comum para os países do euro e, inclusive, um ministro europeu de Finanças. O líder francês também apela por uma Europa da Defesa “real” e uma “identidade europeia” forte.

Mas as propostas do dirigente de 41 anos para relançar a Europa não encontraram muito apoio até o momento, especialmente na Alemanha, outro motor da UE.

O socialista Sánchez

Vencedor das eleições legislativas no fim de abril e dirigente de maior peso no bloco, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, deve sair mais forte das eleições europeias. As pesquisas apontam seu partido - o PSOE - com quase 30% das intenções de voto e 17 ou 18 assentos no Parlamento Europeu.

O economista de 47 anos que está no poder desde junho de 2018, ao vencer uma moção de censura contra seu antecessor, Mariano Rajoy, quer reforçar o peso da Espanha nas instituições europeias.

Mais ativo na Europa do que Rajoy, Sánchez quer tirar vantagem, em especial, da saída do Reino Unido da UE, que tornará a Espanha o quarto maior país do bloco.

O ‘senhor Brexit’

Apelidado de “senhor Brexit” pelo americano Donald Trump, Nigel Farage, de 55 anos, pode se vangloriar por ser o político britânico mais influente de sua geração, mesmo sem nunca ter conseguido um assento na Câmara dos Comuns.

O seu Partido Brexit, criado em fevereiro em razão do bloqueio das negociações sobre a saída da UE do Reino Unido, conta com 30% das intenções de voto. Sua vitória representaria um revés para os dois principais partidos britânicos: conservadores e trabalhistas.

Farage, eurodeputado desde 1999, liderou uma cruzada contra a UE a frente do partido Ukip e, agora, do Partido Brexit. / AFP

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