Cinco opositores são mortos por milícia de Mugabe, diz oposição

Entre as vítimas está a mulher do prefeito de Harare; presidente sul-africano pede adiamento de 2.º turno

Agências internacionais,

19 de junho de 2008 | 11h09

Quatro ativistas do Movimento para a Mudança Democrática (MMD), principal partido de oposição no Zimbábue, foram assassinados nos arredores de Harare entre a noite de quarta e a madrugada desta quinta-feira, 19. A CNN afirma que a mulher do prefeito de Harare, um dos líderes da oposição, também foi encontrada morta. Os assassinatos ocorrem em um momento no qual o presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, encontra-se no Zimbábue com o objetivo de tentar mediar a crise entre situação e oposição a poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais no país.   Mbeki, que governa o país mais poderoso do continente, tem sido duramente criticado por sua "diplomacia discreta" em relação ao regime do país vizinho. Segundo a agência France Presse, o presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, pediu que o segundo turno eleitoral do dia 27 seja cancelado e apelou pela criação de um governo de unidade nacional.   Nelson Chamisa, porta-voz do MMD, disse que as quatro pessoas mortas foram seqüestradas em Chitungwiza, a apenas 25 quilômetros da capital zimbabuana, e agredidas com barras de ferro, porretes e armas de fogo. De acordo com testemunhas, as vítimas foram obrigadas a subir em caminhões e levadas por milicianos que cantavam slogans do partido do presidente Robert Mugabe.   Três casas foram atacadas com bombas incendiárias, segundo denunciou a legenda. O corpo de Abigail Chiroto foi encontrado em um necrotério na região da residência do casal. Ela foi espancada por pedras e barras de aço e seu rosto era praticamente irreconhecível, afirmou Chamisa. A mulher teria sido seqüestrada com o filho de quatro anos, que foi libertado sem ferimentos.   Familiares de três vereadores de oposição em Chitungwiza fugiram de suas casas depois de os imóveis terem sido atacados com bombas incendiárias na noite de quarta, disse Chamisa. Os moradores escaparam feridos.   A oposição afirma que mais de 60 de seus partidários foram mortos nas últimas semanas. O MMD acusa o governo de desencadear uma onda de violência para garantir a vitória de Mugabe no segundo turno contra o candidato de oposição Morgan Tsvangirai.   Para muitos políticos sul-africanos, Mugabe teve um importante papel na luta contra o apartheid. O líder zimbabuano foi um dos poucos presidentes africanos a dar apoio ao Congresso Nacional Africano (CNA), partido da maioria negra, que atuou durante três décadas na clandestinidade.O apoio da África do Sul, porém, está com os dias contados. Jacob Zuma, novo líder do CNA, é bem mais agressivo em relação a Mugabe. Na quarta, Zuma disse não acreditar que o segundo turno terá uma votação limpa. "Só se tivermos muita sorte", afirmou. var keywords = "";

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