Cinco palestinos e um israelense são mortos em confrontos

Atiradores palestinos emboscaram hoje um posto avançado do Exército de Israel no norte da Cisjordânia e três palestinos e um israelense foram mortos num incidente que levou palestinos a pedirem uma investigação internacional. Também hoje, um carro explodiu num campo de refugiados palestinos em Jenin, Cisjordânia, matando dois líderes da Brigada Fatah. Palestinos acusaram Israel de terem assassinado os militantes e juraram vingança.A violência ocorreu enquanto autoridades israelenses confirmavam que o primeiro-ministro Ariel Sharon e o ministro do Exterior Shimon Peres estavam discutindo uma nova iniciativa de paz e que o Exército de Israel se retiraria de Ramallah. As forças israelenses ocuparam a área de Ramallah há três semanas, após extremistas palestinos assassinarem um ministro do gabinete de Sharon. Ao anunciar a retirada, o ministro da Defesa israelense, Binyamin Ben-Eliezer, disse que Israel devolveria Ramallah aos comandos palestinos, que serão os responsáveis pela segurança local. Quanto à iniciativa de paz em discussão, ela não envolve o desmantelamento de assentamentos judeus, e autoridades palestinas a consideraram uma mera tentativa de sabotar qualquer iniciativa de paz de maior alcance que os americanos possam propor.Houve relatos conflitantes sobre a emboscada numa rodovia transversal ao sul de Nablus, nas proximidades da vila palestina de Tell. Autoridades palestinas acusaram soldados israelenses de terem executado palestinos feridos depois que uma equipe de emergência havia chegado para atendê-los. Israel nega categoricamente a acusação.Kamal el Hinai, um funcionário do serviço de ambulância da Crescente Vermelho palestina que foi tratar dos feridos, disse que quando sua equipe chegou soldados israelenses disseram a ele que um palestino estava morto e dois estavam feridos."Perguntamos aos soldados se poderíamos passar e tratar os outros", afirmou el Hinai à Associated Press. "Os soldados disseram que era para nós esperarmos".Ele relatou que ficou a cerca de 50 metros dos palestinos que estavam estendidos no chão. "Cerca de sete ou oito soldados fizeram um círculo em volta dos homens e atiraram para o chão", afirmou.Ele disse que a equipe perguntou novamente se podia tratar os homens. "Os soldados responderam que ´agora estão todos mortos´", afirmou.Todos os palestinos tinham balas na cabeça, disse o diretor do hospital de Rafidia, para onde os três foram levados, doutor Hussam el Jouhary.O coronel Yossi Adiri, comandante de brigada israelense na área de Nablus, negou seus tenham matado palestinos feridos. Ele afirmou que os três atiradores foram mortos na troca de tiros com soldados israelenses. Um soldado judeu também foi morto."Eu pessoalmente permiti a entrada na área da equipe da ambulância da Crescente Vermelho. Eu acompanhei eles. Eles viram três terroristas mortos e voltaram para a ambulância", disse.Num comunicado, a liderança palestina exigiu uma investigação internacional.A violência ocorreu enquanto autoridades israelenses confirmavam que Sharon e Peres já haviam se reunido uma vez e planejavam se encontrar novamente na sexta-feira para discutir a nova iniciativa de paz."Estamos examinando se é possível aproximar nossas posições" disse Peres à Rádio de Israel.Peres admitiu na semana passada que estava trabalhando num novo plano de paz. Jornais israelenses escreveram então que a proposta previa o estabelecimento de um Estado palestino e o desmantelamento de assentamentos judeus na Faixa de Gaza, onde cerca de 7.000 israelenses vivem entre mais de um milhão de palestinos.Sharon não fala em desmantelar qualquer dos cerca de 150 assentamentos judeus na Cisjordânia e Faixa de Gaza - onde vivem cerca de 200.000 israelenses - e no passado foi um dos principais incentivadores do movimento de colonos judeus.O porta-voz de Sharon, Raanan Gissin, disse hoje que a última versão do plano não incluía a questão do desmantelamento dos assentamentos, porque isso seria uma questão a ser resolvida num acordo permanente de paz com os palestinos.O diário israelense Haaretz escreveu hoje que o plano prevê um Estado palestino desmilitarizado primeiro em Gaza; negociações sobre suas fronteiras na Cisjordânia; manutenção do status quo em Jerusalém; "compensação" mas não o "direito ao retorno" a Israel para milhões de refugiados de guerra palestinos e seus descendentes.O ministro da Informação palestino, Yasser Abed Rabbo, disse que as notícias sobre o plano eram uma mera tentativa dos israelenses de "sabotar" uma proposta mais abrangente que os Estados Unidos poderiam apresentar."Esse plano é pior do que a ocupação", afirmou. "É uma tentativa de manter Jerusalém sob ocupação e cancelar os direitos dos refugiados palestinos e separar a Cisjordânia em diversos cantões".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.