Cinco palestinos são mortos em incursão israelense

Cinco palestinos morreram e dezenas ficaram feridos durante uma incursão israelense em Rafah. A Frente Popular para a Libertação da Palestina anunciou nesta quinta-feira que a nova intifada prosseguirá, apesar do acordo para consolidar a trégua.Amanhã pela manhã - com base no acordo entre o ministro israelense das Relações Exteriores, Shimon Peres, e o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat -, deveria ocorrer uma reunião da comissão conjunta de "representantes destacados" de ambas as partes. Eles teriam a missão de, com a ajuda de um agente da CIA, iniciar a implementação dos planos Mitchell e Tenet.Em Israel, encerrado o feriado judaico de Yom Kippur, espera-se que os partidos de direita presentes no governo de união nacional do primeiro-ministro Ariel Sharon rompam nas próximas horas seu silêncio forçado sobre a reunião de ontem entre Peres e Arafat, depois de terem feito de tudo para impedi-la, chegando até mesmo a ameaçar com o abandono da coalizão.Porém, o período do Yom Kippur não impediu que o Exército israelense iniciasse uma nova incursão em Rafah, região palestina autônoma no sul da Faixa de Gaza, depois de a reunião entre Peres e Arafat ter sido precedida pela explosão de um potente artefato colocado em um túnel sob a base militar avançada de Termit, deixando cinco soldados feridos.Durante a incursão, foram utilizados tanques de guerra e motoniveladoras para demolir dezenas de casas palestinas próximas à base avançada. A incursão prosseguiu até o meio da manhã de hoje. Cinco palestinos morreram, inclusive um jovem de 15 anos. Vinte pessoas ficaram feridas, algumas em estado grave. "A incursão em Rafah tinha o objetivo de afetar os resultados da reunião entre Arafat e Peres", acusou Nabil Abu Rudeina, porta-voz de Arafat, atribuindo a Israel "total responsabilidade" pelos combates.Fontes militares israelenses disseram que o chefe de segurança preventiva em Gaza, Mohamed Dahlan, teria conhecimento do trabalho de escavação do túnel sob o posto avançado de Termit. A acusação é dura se for levado em conta que Dahlan deveria ser um dos protagonistas da "plena retomada" da cooperação em matéria de segurança entre israelenses e palestinos, prevista pelo acordo de ontem entre Peres e Arafat.Em Washington, os Estados Unidos renovaram hoje seu pedido a Israel para que ponha fim às incursões nos territórios autônomos palestinos e pare de demolir residências de palestinos.Recebendo com satisfação a reunião entre Peres e Arafat, o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Richard Boucher, sublinhou a necessidade de que ambas as partes "rompam com o passado, deixando para trás as provocações e represálias, e comecem a construir uma nova relação"."Israel deve parar com a demolição de casas, pôr fim às incursões em áreas palestinas e deve abster-se de ações provocativas", disse Boucher.

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