AFP PHOTO / JUAN BARRETO
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Cinco policiais são presos por morte de 68 pessoas em prisão na Venezuela

Entre os detidos está o vice-diretor da sede policial da cidade de Valencia, onde ocorreu o incêndio

O Estado de S.Paulo

31 Março 2018 | 19h01

CARACAS - Cinco policiais foram presos suspeitos de serem responsáveis pela morte de 68 pessoas durante um incêndio em um centro de detenção da cidade de Valencia (norte), informou neste sábado o procurador-geral Tarek William Saab.

Os agentes pertencem ao Comando da Polícia do Estado de Carabobo, onde ocorreu a tragédia na quarta-feira passada.

"Foram emitidas ordens de detenção contra 5 funcionários indiciados por responsabilidade nos trágicos acontecimentos que ocasionaram a morte de 68 cidadãos nas instalações da polícia regional", escreveu Saab no Twitter. 

Segundo a Procuradoria, 68 pessoas morreram no incêndio no Comando da Polícia de Carabobo. Entre as vítimas, havia duas mulheres que visitavam o presídio.

Entre os detidos neste sábado está o vice-diretor da sede policial.

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"O Ministério Público garantirá o esclarecimento desses trágicos acontecimentos e punirá todos os responsáveis sem distinção", garantiu o procurador-geral.

De acordo com a ONG Una Ventana a la Libertad, de defesa dos direitos dos presos, as chamas foram iniciadas por um grupo de detentos que planejavam uma fuga.

O Escritório de Direitos Humanos da ONU reivindicou uma investigação "rápida e completa". Também pediu a Caracas que "conceda indenizações aos parentes das vítimas e (...) identifique e leve os responsáveis à Justiça".

O governo Maduro rejeitou as "precipitadas e desproporcionais" declarações da ONU, porque - garante - buscam estabelecer uma "posição tendenciosa sobre a Venezuela, de maneira prejudicial e sem requerer informação oficial".

"Constitui uma agressão multiforme que se desenvolve contra o nosso país, fazendo uso grosseiro e infame do tema dos direitos humanos", completa a nota.

O diretor da ONG, Carlos Nieto, culpou o governo pela tragédia, ao apontar o confinamento nesse e em outros centros de detenção. Os réus não deveriam passar mais de 48 horas nesses locais, mas, na prática, permanecem meses.

A ONG estima em 400% a superlotação nessas instalações. / AFP

 

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