REUTERS/Peter Nicholls
REUTERS/Peter Nicholls

Cinco pontos-chave sobre Julian Assange e WikiLeaks

Australiano tornou-se o inimigo numero 1 dos EUA depois do episódio batizado como 'cablegate', quando publicou junto de cinco jornais mais de 250 mil documentos secretos da diplomacia dos EUA

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2019 | 11h59
Atualizado 04 de janeiro de 2021 | 15h33

PARIS - O vazamento de milhares de documentos diplomáticos, uma investigação por um suposto estupro e um filme em Hollywood dedicado a sua história.

Conheça abaixo cinco pontos-chave sobre o WikiLeaks e seu fundador, Julian Assange, cuja extradição para os Estados Unidos foi recusada esta segunda-feira, 4, pela Justiça britânica

- 10 milhões de documentos

O WikiLeaks ficou famoso em 2009 quando publicou centenas de milhares de mensagens enviadas por pagers em 11 de setembro de 2001, o dia do atentado nos Estados Unidos contra as Torres Gêmeas e o Pentágono. A ONG, fundada em 2006 por Julian Assange, permite a publicação online de documentos secretos sem identificar quem os vazou.

Pouco a pouco, suas revelações se tornaram mais controversas, como quando publicou um vídeo em que soldados americanos aparecem cometendo abusos no Iraque ou quando divulgou milhares  de documentos militares sobre o Afeganistão.

Em novembro de 2010, o WikiLeaks publicou, com a ajuda de cinco jornais internacionais (The New York Times, The Guardian, Der Spiegel, Le Monde e El País), mais de 250 mil documentos secretos que revelavam segredos da diplomacia americana. Este episódio, depois batizado como "cablegate", transformou o australiano em inimigo número 1 dos EUA.

Ao todo, o WikiLeaks diz ter publicado "mais de 10 milhões de documentos" sobre vários assuntos, incluindo o mundo das finanças, do entretenimento e da política

- Controvertido

No começo, o WikiLeaks, que surgiu como um colaboração entre matemáticos, especialmente dissidentes chineses, atacava regimes repressivos na Ásia, nas ex-repúblicas soviéticas, na África Subsaariana e no Oriente Médio. As principais revelações do site, no entanto, foram contra os EUA e, muitas vezes, a favor da Rússia.

Suspeita-se que a Rússia esteve por trás do vazamentos dos e-mails internos do Partido Democrata dos EUA, publicados pelo WikiLeaks em 2016, durante a campanha presidencial. O site também revelou casos de espionagem de Washington contra aliados, como os presidentes de Brasil e França, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel.

Com o tempo, vários meios de comunicação e figuras públicas se distanciaram do WikiLeaks, embora Assange alegue trabalhar com "mais de 110 organizações de mídia" em todo o mundo.

- Ordem de prisão

É difícil desassociar o WikiLeaks de seu fundador, considerado um gênio perseguido por alguns e um manipulador paranoico por outros.

Depois de a Suécia emitir, em 2010, um ordem de prisão internacional contra ele por um suposto estupro, Assange se refugiou em 2012 na embaixada do Equador em Londres. 

A denúncia de estupro foi arquivada em 2017, mas Assange - que havia recebido a cidadania equatoriana - preferiu continuar asilado na embaixada já que temia ser extraditado aos EUA em razão da publicação dos documentos secretos.

Depois de sete anos asilado, ele foi finalmente preso pela polícia britânica após a mudança de poder em Quito.

Embora a queixa de estupro tenha sido arquivada, os Estados Unidos exigem a extradição de Assange para a publicação de milhares de documentos confidenciais. A juíza Vanessa Baraitser, do tribunal criminal de Londres, rejeitou o pedido dos EUA na segunda-feira, 4 de janeiro.

- Snowden e Manning

O "cablegate" não teria sido possível sem a participação da militar americana transgênero Chelsea Manning, que enviou ao WikiLeaks mais de 700 mil documentos confidenciais. Em agosto de 2013, ela foi condenada a 35 anos de prisão por uma corte marcial.

Depois de sete anos na prisão, no entanto, foi libertada após o ex-presidente americano Barack Obama comutar sua sentença. Chelsea voltou a ser presa em março depois de se negar a testemunhar em uma investigação sobre o WikiLeaks.

Edward Snowden, ex-analista de inteligência da Agência de Segurança Nacional dos EUA que ficou famoso ao revelar a existência de um programa de espionagem, contou com apoio do WikiLeaks, apesar de não ter transmitido ao site de Assange os documentos que possuía. Foi Assange que aconselhou Snowden a exilar-se em Moscou para escapar da Justiça americana.

- Hollywood

Hollywood também já se interessou pelo WikiLeaks, com o filme O Quinto Poder (2013), de Bill Condon, e o documentário Risk (2016), da diretora e jornalista ganhadora do Oscar Laura Poitras, que conta a história do australiano.

Julian Assange também usou sua voz ao interpretar a si mesmo no episódio número 500 de Os Simpsons, em 2014 (veja um trecho abaixo), e inspirou um personagem do 36° álbum de Astérix: O Papiro de César. / AFP

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