Cinco regiões param para protestar contra Evo

Confrontos entre aliados do presidente boliviano, Evo Morales, e simpatizantes da oposição deixaram cinco feridos ontem, durante a greve geral de 24 horas organizada em cinco dos nove Departamentos (Estados) da Bolívia. O ato tinha como objetivo protestar contra os cortes nos recursos repassados por La Paz para os governos departamentais. Em Santa Cruz, jovens da União Juvenil Crucenha foram ao Plano 3.000, bairro periférico onde o apoio a Evo é grande, para obrigar comerciantes a aderir à greve e acabaram brigando com moradores do local. Há denúncias de que jornalistas de um canal de TV privado foram agredidos por simpatizantes de Evo. Mais cedo, em Tarija, grevistas tomaram a sede local da Alfândega Nacional. Santa Cruz, Tarija, Beni, Pando e Chuquisaca, as regiões que pararam ontem, concentram 50% do PIB boliviano e mais de 80% das reservas de gás do país. Elas acusam o governo central de ter confiscado dos Departamentos US$ 600 milhões em impostos sobre hidrocarbonetos para pagar uma pensão para idosos. É também nessas regiões que o apoio ao presidente é menor. Com exceção de Chuquisaca, todas aprovaram em referendos estatutos autonômicos que, segundo os líderes locais, lhes garantiriam mais independência de La Paz. "Grupos de choques das instituições cívicas são os que estão impulsionando a greve", acusou o vice-ministro de governo, Rubén Gamarra. Desde segunda-feira, Evo mobilizou o Exército e a polícia para evitar invasões de edifícios públicos. Nas grandes cidades dos cinco Departamentos, mercados fecharam suas portas, o transporte público foi paralisado e bancos não funcionaram. "Foi uma greve total e pacífica", disse Branco Marinkovic, presidente do Comitê Cívico Pró-Santa Cruz.A greve ocorre num momento de grande tensão na Bolívia, pois as últimas tentativas de diálogo entre governo e oposição fracassaram. No dia 10, os bolivianos votaram num referendo revogatório, ratificando o mandato de Evo com 67% dos votos, mas também mantendo no poder os principais governadores opositores. Nesse contexto, a paralisação serve como uma demonstração de força da oposição regional, que quer o reconhecimento do governo central para seus estatutos autonômicos. O fato de dois terços dos bolivianos terem votado em Evo, porém, foi interpretado pelo presidente como um aval para aplicar seu polêmico projeto de reformas.

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