Mark Felix and Mark RALSTON / AFP
Mark Felix and Mark RALSTON / AFP

Cinco consequências das primárias na Miniterça dos EUA

Se a Superterça fez a disputa principal ser resumida a dois candidatos, sua sequência, uma semana depois, deixou claro que agora a campanha é de Joe Biden

Shane Goldmacher / The New York Times, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2020 | 14h41

Há quatro anos, a primária democrata do Missouri foi uma das mais apertadas do país na campanha prolongada entre o senador Bernie Sanders e Hillary Clinton. Mas na terça, o resultado saiu rápido em favor do ex-vice-presidente Joe Biden. A situação representou o início da segunda semana consecutiva de vitórias de Biden.

"Não há disfarce", disse a deputada Alexandria Ocasio-Cortez, de Nova York, uma das principais apoiadoras de Bernie Sanders, em uma transmissão ao vivo em sua página do Instagram. "Hoje é uma noite difícil". Se a Superterça resumiu a primária em uma competição entre dois candidatos, a Miniterça deixou claro que a corrida está agora com Joe Biden. 

Confira, abaixo, cinco consequências das votações de terça. 

1 - Joe Biden agora comanda as primárias

Há três semanas, após uma derrota importante em Nevada, Biden estava desacreditado enquanto Sanders subia. Mas a disputa se inverteu desde então. Uma série de vitórias de Biden no Centro-Oeste e no Sul demonstrou o poder de sua coalizão, ancorada primeiro pelos eleitores negros e agora com eleitores brancos nos subúrbios e áreas rurais. 

No Michigan, onde Sanders concentrou grande parte de sua atenção na última semana, ele não liderava nenhum dos 83 condados do Estado na quarta-feira e perdia para Biden por dois dígitos em todo o Estado. No Missouri, também estava atrás de todos os condados de um Estado em que ganhou muitos votos em 2016. E, no Mississippi, estava sendo espancado, com Biden com 80% dos votos. A margem de apoio da população negra a Biden sobre Sanders, no Mississippi, foi de 87% a 10%. 

E o calendário não ficará mais fácil para Sanders. Três dos quatro Estados que votam na próxima semana têm uma população considerável de votantes negros: Illinois (um eleitorado negro de 28% nas primárias de 2016, de acordo com a pesquisa), Ohio (20%) e Flórida (27%). 

2 - Desvantagens demográficas de Sanders aumentam 

A onda de novos e mais jovens eleitores em que Sanders depositou a esperança de grande parte de sua candidatura simplesmente não apareceu. O que havia sido a força inicial de Sanders em um campo fraturado - sua rápida consolidação entre eleitores mais jovens, eleitores muito liberais e latinos - provou ser muito menos importante em uma disputa de dois candidatos, já que os eleitores moderados e "um tanto liberais" se uniram a Biden. 

E como os estrategistas democratas pregam há mais de um ano, o apoio dos eleitores negros a um único candidato oferece uma vantagem quase esmagadora ao tentar conquistar delegados. A capacidade de Biden de ganhar estados no Sul por enormes margens - especialmente Alabama na semana passada e Missouri na terça possibilitou números excelentes. 

3 - Bernie 2020 está perdendo para Bernie 2016

Pela segunda semana consecutiva, Sanders teve um desempenho inferior ao da campanha de 2016. Naquela época, ele venceu no Michigan. Perdeu agora. Quase venceu o Missouri em 2016 e perdeu decisivamente esta semana. Sanders piorar em 2020 na comparação com 2016 não é exatamente novo. O mesmo aconteceu em todos os Estados da Superterça.

Na ocasião, ele tinha uma desculpa legítima: a senadora Elizabeth Warren, líder progressista, ainda estava na corrida. Mas esse argumento desapareceu esta semana e sua posição ainda não melhorou.

4 - O Partido Democrata decidiu

Em discurso recente, Biden não apenas agradeceu Sanders e seus apoiadores, mas lembrou: “Há um lugar na nossa campanha para cada um de vocês". À medida que os resultados chegavam, um número crescente de democratas começava a declarar as primárias acabadas e considerava delicada tarefa de unir um partido com profundas divisões ideológicas e geracionais. 

Os dois principais comitês de ação política democratas, Priorities USA e American Bridge, anunciaram que Biden agora era o candidato de fato. "A matemática agora está clara. Joe Biden será o candidato democrata", disse Guy Cecil, presidente da Priorities. "As vozes dos eleitores democratas são altas e claras: eles querem que Joe Biden seja o nosso representante", disse Bradley Beychok, presidente da American Bridge. 

5 - Resultados no Michigan sugere aumento do sentimento anti-Clinton em 2016

Michigan desempenhou um lugar especial para Sanders em 2016: foi o Estado que, apesar das pesquisas, deu a ele uma grande vitória sobre Clinton e prenunciou sua eventual fraqueza nas eleições gerais no centro-oeste contra Donald Trump. Os resultados da terça levantaram novas perguntas sobre o quanto de sua vitória primária em 2016 havia nele - e quanto foi simplesmente a rejeição de Clinton.

Sanders venceu quase todos os municípios fora da área metropolitana de Detroit há quatro anos - e perdeu todos eles nesta semana. Alguns pequenos condados passaram de uma vitória de quase 25 pontos sobre Sanders para uma perda de quase 25 pontos.

Além da matemática dos delegados, a perda em Michigan prejudicou a narrativa de Sanders 2020: que ele é o candidato mais forte contra Trump em um dos Estados-pêndulo mais críticos. 

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