Cineasta iraniano promove filme sobre Revolução Verde em SP

Mohsen Makhmalbaf vai à Mostra de Cinema para exibição de 'Green Days', de sua filha Hanna, sobre a eleição de 2009 no Irã

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2011 | 03h05

Nos últimos anos, Mohsen Makhmalbaf tem estado tão envolvido com a política que não lhe sobra tempo de fazer o que gosta: filmes. Ele se compara a um paisagista que monta o cenário para pintar um rio, mas tem de parar tudo porque alguém está se afogando. O que tem mantido Makhmalbaf ocupado é sua luta contra o regime do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.

O cineasta faz essas constatações após uma sessão de Green Days, de sua filha, Hana Makhmalbaf. Ele veio ao Brasil para participar, em Porto Alegre, da série de debates intitulada Fronteiras do Pensamento. Aproveitou para vir a São Paulo para abraçar o amigo Leon Cakoff, da Mostra de Cinema. Não sabia que ele tinha morrido. A Mostra promoveu ontem à noite a exibição de Green Days, seguida de debate. Na véspera, Makhmalbaf recebera do amigo Walter Salles o Prêmio Humanitário Leon Cakoff (mais informações no Caderno 2).

O filme é sobre o processo eleitoral que reelegeu Ahmadinejad em 2009. O verde era a cor dos que apoiavam a oposição. "Ele já prendeu mais de 30 mil pessoas por nenhum outro crime que o de ser contra sua presidência. O país vive sob uma ditadura brutal", diz, sobre o presidente iraniano.

Mas, como, se Ahmadinejad foi eleito democraticamente? "Essa é a farsa, ele não foi eleito democraticamente", argumenta. "Nas duas eleições, contra Mir Hossein Mousavi e Mohamad Khatami, observadores independentes garantiram que os votos tinham ido para a oposição. Mas, como num passe de mágica, Ahmadinejad ganhou."

O truque tem nome - Exército. Segundo ele, na guerra contra o Iraque, o Irã precisou montar um Exército forte e bem equipado. "Hoje, esse Exército não tem outra função a não ser a de manter o regime. Virou um aparelho de repressão do povo", diz.

Makhmalbaf ama o Brasil e a Mostra. "Pelé foi uma referência para todos nós e um dos motivos pelos quais os iranianos apaixonaram-se pelo futebol", lembra. Por isso mesmo ele não esconde a decepção pelo apoio do Brasil a Ahmadinejad.

"Lula é um estadista e foi um presidente popular. Cansamos de vê-lo abraçar Ahmadinejad, como se fosse um líder de esquerda. Não é. Ahmadinejad representa o que há de mais à direita no Irã."

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