Ore Huiying / The Washington Post.
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Cingapura condena homem a pena de morte por videoconferência

Homem de 37 anos foi sentenciado por traficar drogas

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2020 | 13h00

BANGKOK - Um tribunal de Cingapura condenou um preso à pena de morte pela primeira vez por meio de uma videoconferência realizada no aplicativo Zoom como resultado de medidas para combater a pandemia da covid-19. A medida foi denunciada por organizações de defesa dos direitos humanos.

A Suprema Corte de Cingapura comunicou por videoconferência na sexta-feira passada a sentença pelo crime de narcotráfico a um homem de 37 anos da Malásia, informou a Anistia Internacional em comunicado nesta quarta-feira, 20.

"Tanto por Zoom como pessoalmente, uma sentença de morte é sempre cruel e desumana. Este caso é mais um lembrete de que Cingapura continua a desafiar as leis e os padrões internacionais ao impor a pena de morte para o tráfico de drogas como uma punição obrigatória", afirmou Chiara Sangiorgio, assessora da Anistia Internacional.  

Punithan Genasan, o preso, foi detido na Malásia e deportado para Cingapura em 21 de janeiro de 2016. Ele foi acusado de organizar o contrabando de 28,5 kg de heroína em 2011 através de duas correspondências. 

Cingapura é um dos países do Sudeste Asiático que permite a pena capital por delitos de tráfico de drogas, assim como a Indonésia, Malásia e Tailândia, embora neste último caso, nenhuma pessoa condenada tenha sido executada por mais de uma década.

"Chegou a hora de o governo (de Cingapura) rever suas punições draconianas e revogar a pena de morte de uma vez por todas. Numa época em que a atenção do mundo está focada em salvar e proteger vidas durante uma pandemia, a aplicação da pena de morte é especialmente abominável ", afirmou Sangiorgio. 

A suspensão das audiências presenciais é uma das medidas de combate à pandemia da covid-19 adotada por Cingapura, um dos primeiros países a detectar casos do novo coronavírus. Atualmente, existem 29.364 casos confirmados de coronavírus na cidade-estado, com cerca de 6 milhões de habitantes, a maioria trabalhadores estrangeiros. / EFE

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