AP Photo/Carlos F. Gutierrez
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Cinzas de vulcão chileno chegam a Buenos Aires e afetam voos

Especialistas dizem que há baixo risco para a saúde; abertura de aeroportos no fim de semana é discutida

Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S. Paulo

24 de abril de 2015 | 13h02

BUENOS AIRES - As cinzas do vulcão chileno Calbuco, que entrou em erupção duas vezes na terça, 21, e na quarta-feira, 22, chegaram a Buenos Aires nesta sexta-feira, 24, na forma de uma névoa dispersa. Mesmo assim, quatro voos dos EUA e do México para o Aeroporto Internacional de Ezeiza foram cancelados ou sofreram atrasados. Autoridades aeronáuticas reuniram-se ao meio-dia na capital argentina para definir uma estratégia para o fim de semana caso o quadro se agrave. Nos sites das companhias aéreas brasileiras, não havia informações sobre possíveis alterações em voos.

Especialistas esclareceram que o volume de cinzas na capital argentina não representa perigo à saúde, embora essa fosse uma preocupação recorrente entre os moradores, refletida na cobertura da imprensa local. O ministro da Saúde, Daniel Gollán, afirmou que a cinza chegou a Buenos Aires em quantidade ínfima e não é tóxica. "É um pó muito fino de sílica e cálcio. Flutua muito e se dispersa rapidamente", disse. 


Elizabeth Rovere, vulcanóloga da Universidade de Buenos Aires (UBA), manteve a mesma linha, mas aconselhou a não fazer exercícios físicos ao ar livre. "As partículas que chegam a Buenos Aires não são tão grossas, são mais redondas pelo desgaste. O corpo tende a expulsá-las com tosse ou espirros", afirmou ao canal TN.

No Chile, onde as partículas depositadas são maiores e quase 5 mil moradores foram retirados de uma faixa de 10 quilômetros ao redor do vulcão, teme-se pelo efeito na agropecuária e na piscicultura. 

O risco imediato maior é para o setor aeronáutico. As cinzas comprometem a visibilidade e o silício contido nas partículas podem se tornar pequenos pedaços de vidro, capazes de comprometer o funcionamento das turbinas. Em 2011, a erupção do Puyehue, a 128 quilômetros do Calbuco, afetou centenas de voos e suas cinzas chegaram ao Brasil. Houve também prejuízo para a atividade agropecuária em todos o países do Cone Sul.

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