Cinzas de vulcão isolarão principais cidades do sul argentino até domingo

Nuvem de fumaça originada no Chile se espalhou por Argentina, Uruguai e Paraguai, atrapalhando transporte aéreo.

Marcia Carmo, BBC

07 de junho de 2011 | 19h48

Bariloche e as outras principais cidades do sul da Argentina ficarão isoladas pelo menos até domingo devido aos efeitos das cinzas do vulcão chileno Puyehue no espaço aéreo e nas estradas que ligam a região da Patagônia ao restante do país.

A informação foi dada por um comitê de emergência criado para administrar as consequências do vulcão, do complexo Puyehue-Cordón Caulle, que entrou em erupção no sábado e espalhou cinzas por Argentina, Paraguai e Uruguai.

Cidades como Bariloche, San Martín de los Andes e Villa Angostura sofreram, nesta terça, cortes de luz e de água. Autoridades locais disseram que o peso das cinzas caiu sobre os fios de alta tensão e sobre casas e hotéis, afetando o abastecimento de energia e os serviços de água e telefonia.

"A situação está sob controle. No entanto, temos que levar água de porta em porta para cada morador, principalmente em Villa Angostura, a mais afetada", disse o governador da província de Neuquén, Jorge Sapag, à imprensa local.

As aulas foram suspensas em vários locais da Patagônia, e o comércio funcionava de forma limitada em Villa Angostura.

Voos

No fim da tarde desta terça-feira, começaram a decolar os primeiros voos que tinham sido cancelados pela manhã nos dois principais aeroportos de Buenos Aires (Aeroparque e Ezeiza).

Os primeiros aviões que chegaram à cidade exibiam uma ampla camada de cinzas, formada por resíduos do vulcão.

No total, segundo a administração desses aeroportos, mais de 60 voos tinham sido suspensos. Entre os reagendados para esta mesma terça estavam voos para o Rio de Janeiro e São Paulo.

Mas o Serviço Nacional de Meteorologia informou que uma nova nuvem de cinzas poderia chegar à cidade de Buenos Aires na quinta-feira, e não se sabe se o transporte aéreo será novamente afetado.

O comitê decidiu emitir um boletim sobre a situação a cada seis horas, durante toda esta semana. O órgão é formado por integrantes do setor aeroviário, das companhias aéreas e do serviço de meteorologia, entre outros.

Até esta terça, a previsão era de que os voos para outros destinos da Argentina, como Ushuaia, na Terra do Fogo, também na Patagônia, e Posadas, na fronteira com Brasil, fossem retomados na quinta.

Mas o acesso aéreo e viário a Bariloche e El Calafate, entre outras cidades, provavelmente só será retomado no domingo.

Países afetados

A onda de fumaça atingiu também o espaço aéreo do Uruguai e do Paraguai e causaram transtornos.

No aeroporto internacional de Carrasco, em Montevidéu, quase todos os voos, incluindo para o Rio e para São Paulo, foram cancelados, segundo o site da administração do terminal.

"O aeroporto não está operando", disse o chefe de operações de Carrasco, Nelson Rosano.

Em Assunção, assessores da administração do aeroporto Silvio Pettirossi informaram à BBC Brasil que "pelo menos 15 voos foram cancelados" e que a expectativa era de que voltassem à normalidade nesta quarta, dependendo das informações do serviço de meteorologia.

Do aeroporto de Santiago, capital do Chile, vários voos decolaram, segundo informações do site do aeroporto.

De acordo com a imprensa local, os voos cancelados sairiam principalmente de Santiago para Buenos Aires.

No início da noite, porém, os voos suspensos estavam sendo reprogramados para esta mesma terça-feira.

Especialistas disseram que os ventos levaram as cinzas do vulcão para a Argentina e outros países vizinhos, dificultando o transporte aéreo regional.

No Chile, autoridades locais informaram que foi ampliada a área de evacuação dos moradores e turistas devido aos temores de avalanches provocadas pelas chuvas na região vulcânica.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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