Cinzas vulcânicas devem se dissipar até sábado, diz especialista

Segundo meteorologista argentino, ventos devem empurrar cinzas para o Oceano Atlântico.

Marcia Carmo, BBC

10 de junho de 2011 | 14h03

As cinzas do vulcão chileno Puyehue, que vêm prejudicando voos em diversos países da América do Sul, devem se dissipar até este sábado, afirmou à BBC Brasil Carlos Benítez, diretor do Centro de Avisos de Cinzas Vulcânicas da Argentina, ligado ao Serviço de Meteorologia do país.

"As cinzas já não estarão mais aqui (na Argentina) a partir das 18h desta sexta-feira. Já o sul do Brasil e o Uruguai terão apenas vestígios até o fim desta noite", disse Benítez.

Segundo ele, a região estará livre das cinzas vulcânicas pelo menos até quarta-feira, mesmo que o vulcão entre novamente em erupção de forma mais intensa.

"Os ventos de sudeste para nordeste trouxeram as cinzas. Mas eles vão ficar, a partir desta tarde, no sentido Oeste-Leste, levando as cinzas para o Oceano Atlântico", afirmou o especialista.

O novo quadro deverá permitir que o tráfego aéreo volte à normalidade. Nestas quinta-feira e sexta-feira, mais de 300 voos foram cancelados nos dois principais aeroportos de Buenos Aires, Jorge Newbery e Ezeiza, afetando igualmente as operações aéreas do aeroporto internacional de Carrasco, de Montevidéu, no Uruguai.

Cinzas

Benítez afirma, no entanto, que ainda é cedo para avaliar quantos dias mais as cinzas vão continuar prejudicando os destinos turísticos da Patagônia, como Bariloche, praticamente isolados pelos resíduos vulcânicos.

"Os ventos ainda vão levantar por muitos dias estas cinzas que caíram e estão nas ruas e tetos do sul da Argentina", disse.

O especialista recordou que em 2008, quando outro vulcão chileno, El Chaitén, entrou em erupção, as cinzas foram eliminadas "mais de um mês depois" do início do fenômeno natural.

Ele ressalvou ainda que, caso o vulcão chileno entre novamente em erupção com intensidade e se os ventos continuarem levando as cinzas para o Oceano Atlântico, outras localidades da Patagônia argentina poderão ser afetadas.

Neste caso, seriam atingidas cidades como Trelew e Viedma, na Província de Chubut, e não mais Bariloche, na Província de Rio Negro.

Nesta sexta-feira, a capital argentina amanheceu, pelo segundo dia consecutivo, com cinzas nos tetos dos automóveis e até nas varandas dos restaurantes de pontos turísticos, como Porto Madero.

Especialistas afirmam que as cinzas não afetam a saúde, mas por precaução recomendam às pessoas alérgicas que evitem sair ao ar livre.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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