Palace/Handout via REUTERS
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Circulação de novas notas é adiada na Venezuela

Setor bancário afirma que o país não está em condições de implementar a medida na próxima segunda-feira, como estava previsto

O Estado de S.Paulo

29 Maio 2018 | 19h56

CARACAS - A Venezuela adiou a entrada em circulação de seus novas notas - com três zeros a menos - a pedido do setor bancário, que garantiu não estar em condições de implementar a medida na próxima segunda-feira, anunciou nesta terça-feira, 29, o presidente Nicolás Maduro.

"Acho que é preciso dar um período superior para a reconversão monetária", disse Maduro em uma reunião com diretores da Associação Bancária da Venezuela (ABV), na qual defendeu adiar a medida por 60 dias. 

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O presidente da associação que agrupa as entidades de crédito, Aristides Maza, pediu para o mandatário adiar a reconversão monetária por 90 dias. 

Maduro encarregou sua equipe econômica de acertar com a ABV a data definitiva para as novas notas -  com três zeros a menos -sejam postas em circulação, uma medida anunciada em 22 de março diante de uma hiperinflação que segundo o FMI alcançará 13.800% em 2018.

O governante socialista também aceitou uma proposta da ABV para que a nova moeda circule por um tempo junto com a atual, que foi lançada no fim de 2016, mas já foi devorada pelo aumento exponencial do custo de vida.

"Compartilho o plano anti-estresse da convivência das duas moedas", afirmou Maduro.

Especialistas haviam alertado sobre as dificuldades para adaptar sistemas eletrônicos às novas notas em tempo hábil e garantir uma circulação suficiente de dinheiro. 

Além disso, houve a experiência traumática com o lançamento de notas em 2016, que ainda não atendem à demanda do público. Elas representam apenas 20,8% das notas em circulação, disse o economista Jesús Casique à agência France Presse

"Já as notas que entrarão em circulação estão dizimadas. A reconversão não resolverá nada até que a hiperinflação seja controlada com disciplina fiscal e monetária", opinou Casique. 

O especialista avalia que, se os preços continuarem a subir, eles poderão recuperar os três zeros eliminados em dezembro. / AFP

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