Salvatore Di Nolfi/ EFE
Salvatore Di Nolfi/ EFE

Circulação de Ômicron e Delta coloca sistemas de saúde à beira do colapso, alerta OMS

O aviso ocorre dias após o mundo registrar mais de 1 milhão de casos de covid-19 em um único dia pela primeira vez desde o início da pandemia.

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de dezembro de 2021 | 16h57

GENEBRA - A OMS (Organização Mundial da Saúde) alertou nesta quarta-feira, 29, que a circulação da variante Ômicron do novo coronavírus continua sendo um risco global e, somada com a Delta, os sistemas de saúde podem colapsar. O alerta ocorre dias após o mundo bater um novo recorde de contaminações por covid-19.

"O risco global relacionado com a nova variante de preocupação Ômicron permanece muito elevado", alertou a OMS em seu relatório epidemiológico semanal. O documento destaca que o número de casos dobra a cada dois a três dias.

Segundo o diretor-geral, Tedros Adhanom Ghebreyesus, a circulação simultânea das variantes Delta e Ômicron cria um "tsunami que deixa os sistemas de saúde à beira do colapso".

"Estou extremamente preocupado que a Ômicron, sendo mais transmissível e circulando ao mesmo tempo que a Delta, esteja causando um tsunami de casos. Isto está colocando e continuará colocando imensa pressão sobre os já cansados trabalhadores da saúde, e os sistemas de saúde estão à beira do colapso".

Na última segunda-feira, 27, o mundo registrou mais de 1 milhão de casos da doença em um único dia pela primeira vez. Desde então, vários países seguem batendo recordes diários de contaminações.

A média de casos tem girado em torno de 935 mil nos últimos sete dias, um número maior que o recorde anterior, registrado entre 23 e 29 de abril, de 817 mil casos diários em média. O dado desta quarta-feira representa uma alta de 37% na comparação com a semana antecedente.

Recordes na Europa e EUA

A maioria das novas infecções foi registrada na Europa, onde vários países anunciaram novos recordes históricos na terça-feira, 28. Na França, 208 mil novos casos de covid-19 foram registrados nas últimas 24 horas, não muito atrás dos Estados Unidos, onde na terça-feira foi registrada uma média semanal recorde de 265.427 casos diários, de acordo com a Universidade Johns Hopkins. 

A Dinamarca é hoje o país do mundo com mais casos novos em relação à sua população: superou nesta quarta-feira seu recorde absoluto ao registrar 23.228 novas infecções em 24 horas. A incidência dinamarquesa significa que mais de 1 em 60 habitantes apresentou resultado positivo na semana passada. 

No Reino Unido, 130 mil casos adicionais foram relatados na terça-feira na Inglaterra e no País de Gales. Uma campanha massiva de vacinação de reforço já aplicou doses suplementares a 57% dos maiores de 12 anos. De acordo com o primeiro-ministro britânico Boris Johnson, 90% dos pacientes com covid-19 internados em terapia intensiva não receberam a terceira dose. 

Na Espanha, onde quase 100 mil foram atingidos, o governo anunciou que na segunda-feira vai reduzir a quarentena de dez para sete dias para pessoas infectadas pela necessidade de encontrar um equilíbrio entre "saúde pública" e “crescimento econômico”, disse o presidente Pedro Sánchez.

O aumento de contágios chegou à América Latina e Caribe, onde a epidemia parecia estar em retrocesso há algumas semanas. No momento, os contágios se aceleram na região, que acumula 47 milhões de infecções e quase 1,6 milhão de mortes.

A propagação coincide com o aumento de casos da variante ômicron no Panamá, Colômbia, Chile, Argentina, Brasil, Paraguai, Venezuela, México, Cuba e Equador. Na Argentina, os casos se multiplicaram por seis desde o início do mês./AFP

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