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Cisão entre partidários de Berlusconi dá sobrevida a governo de Letta

Ministros de partido do ex-premiê que deixaram coalizão ameaçam mudar de lado

O Estado de S. Paulo,

30 Setembro 2013 | 18h47

ROMA -A coalizão do primeiro-ministro italiano, Enrico Letta, ganhou uma sobrevida ontem, depois de quatro dos cinco ministros do partido do ex-premiê Silvio Berlusconi que deixaram a aliança de governo prometerem respaldá-lo na moção de confiança que ele enfrentará amanhã. Berlusconi rompeu com Letta na sexta-feira, antes de ser submetido a um julgamento de impeachment no Senado por evasão fiscal na Justiça italiana.

Os cinco ministros do Partido Povo da Liberdade (PDL) deixaram o cargo por determinação de Berlusconi na sexta-feira, mas ontem deram sinais de que apoiariam Letta em sua tentativa de sobreviver no cargo.

A preocupação do mercado financeiro com a instabilidade política italiana e a luta política interna pelo controle da legenda entre Berlusconi e seu herdeiro político, Angelino Alfano, na opinião de analistas, contribuíram para a infidelidade dos ministros ao ex-premiê. Há cinco meses no cargo, em frágil aliança entre a centro esquerda e os conservadores, Letta enfrenta uma recessão econômica.

Alfano está preocupado com a repercussão de uma derrubada da coalizão em meio a um cenário ruim, com base numa vingança pessoal de Berlusconi contra o Partido Democrático. A votação do impeachment deve ocorrer até o fim desta semana.

“Expressei firmemente minha oposição à renúncia a nossos deputados”, disse o ministro Gaetano Quagliariello, um antigo colaborador de Berlusconi. “O risco de uma crise que explodiria o país não seria compreendido por nosso eleitorado. Seria uma bobagem derrubar o governo de Letta.”

Berlusconi, por sua vez, disse aos parlamentares do PDL que não foi influenciado por ninguém ao decidir retirar os ministros do PDL do governo no fim de semana. “Não fazia nenhum sentido continuar no governo, eu tomei a decisão sozinho”, afirmou o ex-premiê, que depois de reunir-se com membros da legenda prometeu dar a Letta “sete dias” de trégua antes de tentar pôr fim à coalizão. /AP e REUTERS

 

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