Nasser Ishtayeh/AP
Nasser Ishtayeh/AP

Cisjordânia festeja antecipadamente reconhecimento da Palestina na ONU

Presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, vai à Assembleia-Geral pedir status de Estado observador

Efe

29 de novembro de 2012 | 11h17

RAMALLAH - Palestinos festejam nesta quinta-feira, 29, na Cisjordânia, horas antes de a Assembleia-Geral da ONU votar pelo reconhecimento da Palestina como Estado observador, o que deve ocorrer por volta de 0h (horário local, 18h de Brasília). Em Ramallah, centenas de pessoas, em sua maioria homens de meia idade, realizaram às 12h locais um ato na Praça Arafat em apoio à iniciativa, com apresentações musicais e uma forte demonstração de unidade das distintas facções palestinas.

Dirigentes políticos dos movimentos Fatah, liderado pelo presidente Mahmoud Abbas, Hamas, Jihad Islâmica e Frente Popular para a Libertação da Palestina subiram juntos ao palco para apoiar a solicitação de melhora do status da Palestina na ONU de "entidade observadora" a "Estado observador não membro". O povo exibia bandeiras palestinas e do Fatah e, no palco, um grande cartaz rezava "Estado da Palestina ONU" sobre uma imagem de Jerusalém e os rostos de Abbas e do histórico líder Yasser Arafat.

Festa e música

Várias outras cidades cisjordanianas abrigam hoje eventos de comemoração, como passeatas de membros da organização juvenil de escoteiros e apresentações de bandas musicais. No município cristão de Beit Jala, próximo a Belém, cerca de 4 mil alunos da escola luterana Talita Kumi percorrerão as ruas com um livro que prepararam para lembrar o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a situação dos palestinos.

Os atos populares chegarão a seu apogeu ao redor das 23h locais (19h de Brasília), quando o presidente Abbas deve oferecer à Assembleia-Geral um discurso que será transmitido ao vivo por grandes telas localizadas nas principais praças das cidades da Cisjordânia. Curiosamente, em Belém o discurso será projetado sobre o muro de concreto construído por Israel a partir de 2003 e que desde então a separa de Jerusalém.

A Organização para a Libertação da Palestina (OLP) também convocou várias comemorações em Gaza, governada pelo Hamas, e em Jerusalém Oriental, onde vivem cerca de 250 mil palestinos. Após a meia-noite, quando deve ser confirmado o reconhecimento - a princípio apoiado por forte maioria da Assembleia-Geral - em toda Cisjordânia os sinos das igrejas badalarão.

Após anos de rivalidade, os grupos islamitas Hamas e Jihad Islâmica, que não pertencem à OLP, apoiaram o pedido de Abbas, diferentemente do ano passado, com o fracassado requerimento perante o Conselho de Segurança para conseguir o status de Estado membro da ONU de pleno direito. A Palestina deve obter hoje um status similar ao do Vaticano, que lhe permitiria o acesso a várias agências das Nações Unidas e a cortes internacionais como o Tribunal Penal Internacional (TPI).

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