ABBAS MOMANI / AFP
ABBAS MOMANI / AFP

Cisjordânia recebe toneladas de correspondências retidas há anos por Israel

Funcionários fazem hora extra para organizar e enviar as mais de 10 toneladas de correspondência liberadas recentemente em centro de distribuição do correio na cidade de Jericó; alguns pacotes estão bloqueados desde 2010

O Estado de S.Paulo

16 Agosto 2018 | 15h57

JERICÓ, TERRITÓRIOS PALESTINOS - Cartas, medicamentos e até uma cadeira de rodas. Na cidade palestina de Jericó, os funcionários da agência dos correios fazem hora extra para organizar e enviar as mais de 10 toneladas de correspondência e pacotes bloqueados durante anos por Israel. As autoridades israelenses impediram a entrada de correspondências enviadas entre 2010 e 2018 da Jordânia para os territórios ocupados da Cisjordânia. No entanto, após um acordo recente, as cartas e objetos foram entregues nesta semana aos palestinos.

Grandes sacos coloridos contendo envelopes envelhecidos e pacotes de todos os tipos estão empilhados em uma agência dos correios em Jericó, na Cisjordânia, onde os funcionários tentam organizá-los. Ramadan Ghazawi, um dos responsáveis pela unidade, disse que as autoridades israelenses retiveram as correspondências por motivos de segurança ou por questões administrativas.

Seus funcionários avaliam que precisarão de ao menos duas semanas para organizar todo o conteúdo e enviá-lo aos destinatários. "Há alguns dias, Israel autorizou (a entrada de) mais de 10 toneladas de correspondência bloqueadas na Jordânia", declarou Ghazawi. Ele disse que no centro de distribuição em Jericó há cartas e pacotes de todo o mundo.

Israel controla todas as entradas e saídas da Cisjordânia, um território que ocupa há mais de 50 anos. As autoridades israelenses podem impedir a passagem de qualquer tipo de mercadoria e, segundo representantes palestinos, essa situação dificulta a sua economia e a liberdade de movimento.

A entrega dessas toneladas de cartas e pacotes faz parte de uma das medidas para aumentar a confiança entre israelenses e palestinos depois de um acordo firmado há mais de um ano, segundo o organismo do ministério israelense de Defesa que se encarrega dos assuntos civis nos territórios palestinos ocupados.

De acordo com esse organismo, o acordo ainda não está totalmente em vigor. A agência não explicou, no entanto, os motivos para as cartas terem ficado bloqueadas por tanto tempo. O ministro palestino de Telecomunicações, Allam Moussa, acusou Israel de ter atrasado a aplicação do acordo. Moussa alega que a falta de entrega das encomendas retidas por Israel teve ampla "implicação na confiança da população no correio palestino", contribuindo para prejuízos de milhares de dólares para a companhia.

Entre os diversos objetos, há uma cadeira de rodas enviada em 2015 da Turquia com destino na Faixa de Gaza. Muitos outros artigos foram comprados na internet por cidadãos palestinos e nunca chegaram ao seu endereço final. Alguns pacotes estão danificados. Para evitar possíveis queixas, será adicionada uma nota na entrega para informar os destinatários que a situação se deve às autoridades israelenses. / AFP e NYT

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