Citação em carta emociona Niemeyer

Em texto, Fidel lembra arquiteto e diz que é preciso ser conseqüente até o final

Márcia Vieira, RIO, O Estadao de S.Paulo

20 de fevereiro de 2008 | 00h00

Oscar Niemeyer emocionou-se ontem com a carta de renúncia do amigo Fidel Castro. Primeiro, por ter sido citado no trecho em que Fidel diz: "Penso como Niemeyer que é preciso ser conseqüente até o final." Depois, porque um dos seus cinco netos, Carlos Eduardo, que está em Cuba há um mês, telefonou para dar a notícia e contou detalhes da repercussão em Havana. "Meu neto ficou profundamente emocionado vendo a tristeza do povo cubano. Mas, ao mesmo tempo, disse que os cubanos permanecem unidos, prontos para enfrentar o grande inimigo, os EUA." Socialista desde a juventude, Niemeyer, de 100 anos, disse que Fidel é o grande líder da América Latina. "Eu sempre segui a mesma ideologia que ele. Mesmo deixando o governo, ele vai continuar orientando o povo cubano. É um homem inteligente, decidido." Niemeyer ficou feliz de ter sido citado nos termos em que Fidel fez. "Ele foi generoso em me citar. Concordo com a frase. O ser humano é tão insignificante. É preciso ser coerente até o final da vida", disse o arquiteto.Niemeyer nunca foi a Cuba, pois tem medo de avião. Mas Fidel Castro já visitou o escritório do arquiteto na Avenida Atlântica, em Copacabana. Numa dessas visitas pediu a Niemeyer que fizesse uma escultura para ficar em Havana. Niemeyer fez. Depois, Fidel pediu o projeto de uma praça para colocar a escultura. Por último, pediu que o arquiteto desenhasse um teatro para a praça. Niemeyer fez. Tudo de graça.

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