Citando Lincoln, China alerta Obama sobre dalai-lama

Governo diz que americano deveria ser solidário contra o 'escravismo' praticada pelo líder tibetano

Reuters,

12 Novembro 2009 | 12h40

O governo da China informou nesta quinta-feira, 12, que o presidente dos EUA, Barack Obama, deveria ser especialmente solidário com a oposição da China ao dalai-lama e à independência tibetana, sendo ele um presidente negro que louva Abraham Lincoln por ter ajudado a abolir a escravidão.

 

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Qin Gang, porta-voz da chancelaria chinesa, fez esse comentário numa entrevista coletiva a quatro dias da chegada de Obama à China.

 

Obama não recebeu o dalai-lama quando da visita do líder budista a Washington, em outubro. Mas o Dalai Lama tem dito que ambos poderão se encontrar depois da passagem de Obama pela China, cujo regime acusa o monge tibetano de buscar a independência da sua região.

 

A China certamente condenará tal encontro, e Qin evidenciou a pressão política da questão ao citar a origem de Obama e sua admiração pelo presidente Lincoln, que se opôs à secessão dos Estados sulistas e lutou pela abolição da escravatura, o que Qin comparou à sociedade tibetana sob a liderança do dalai-lama.

 

Após tomar posse como presidente dos EUA, Obama declarou que jamais chegaria ao cargo se não fossem os esforços de Lincoln, lembrou Qin. "Ele é um presidente negro, e entende o movimento de abolição da escravatura e o grande significado de Lincoln para esse movimento", disse o chinês.

 

"Lincoln desempenhou um papel incomparável na proteção da unidade nacional e da integridade territorial dos EUA", afirmou Qin, dizendo que a postura do atual governo chinês é semelhante à de Lincoln. "Esperamos que o presidente Obama, mais do que qualquer outro líder estrangeiro, possa captar melhor e mais profundamente a posição da China na proteção da soberania nacional e da integridade territorial", concluiu.

 

O dalai-lama diz não ser separatista, alegando que defende meramente a autonomia para o Tibete, de onde fugiu há 50 anos, para estabelecer um governo no exílio.

 

Questionado sobre as consequências de uma possível reunião entre Obama e o dalai-lama, Qin disse que Pequim se opõe a tais encontros e se preocupa muito com eles. "Devemos valorizar as circunstâncias positivas e as oportunidades para as relações China-EUA. Em particular, ambos os lados devem respeitar seus interesses e preocupações principais, e as questões tibetanas estão entre os principais interesses e preocupações da China", finalizou o porta-voz

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