REUTERS/Laila Kearney
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Citgo afasta três executivos ligados a Maduro e deve substituí-los por nomeados de Guaidó

Subsidiária americana da estatal venezuelana PDVSA deve indicar para os cargos funcionários que reconhecem a nova diretoria da empresa, nomeada na semana passada pelo líder opositor que autodeclarou-se presidente

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2019 | 15h44

WASHINGTON - A Citgo Petroleum, uma subsidiária da estatal venezuelana PDVSA, afastou três executivos do alto escalão da empresa ligados ao presidente Nicolás Maduro, informaram na segunda-feira pessoas com conhecimento sobre o caso. A decisão seria o primeiro passo para consolidar a gestão dos novos diretores nomeados pelo líder opositor Juan Guaidó.

Nas últimas semanas, a Citgo, refinaria da PDVSA em território americano, entrou no meio de uma batalha política entre o jovem político do partido Voluntad Popular - que autodeclarou-se presidente em janeiro - e Maduro, líder chavista rejeitado por grande parte da comunidade internacional e cuja reeleição no ano passado foi considerada ilegítima.

Os afastamentos seriam uma forma de transferir o controle das operações diárias da refinaria para funcionários que reconhecem a nova diretoria anunciada a semana passada pela Assembleia Nacional da Venezuela, controlada pela oposição.

Os vice-presidentes da Citgo, Frank Gygax, Nepmar Escalona e Simon Suarez, todos venezuelanos promovidos pelo executivo-chefe da Citgo, Asdrúbal Chávez, de 2017 a 2018, foram expulsos da sede da empresa em Houston na segunda-feira pela equipe de recursos humanos, disseram as fontes.

Não está claro se os executivos foram demitidos ou forçados a renunciar.

Chávez, primo do líder venezuelano Hugo Chávez, morto em 2013, controla a Citgo a partir das Bahamas desde o ano passado, quando o governo dos EUA negou seu pedido de visto para trabalhar em Houston. Outros membros venezuelanos do conselho de diretores de refinaria de petróleo também trabalham com ele no escritório caribenho.

A Citgo é a oitava maior refinadora dos EUA e tem instalações em Illinois, no Texas e na Louisiana responsáveis por cerca de 4% da capacidade de refino dos EUA. Também opera tubulações e terminais de combustível e fornece combustível para uma rede de varejo de 5,5 mil postos de gasolina em 29 Estados dos EUA.

A empresa foi atingida pelas sanções dos EUA impostas em 28 de janeiro para restringir o acesso de Maduro à receita do petróleo. A Citgo, a maior compradora americana de petróleo venezuelano, pode continuar importando o petróleo da PDVSA somente se o produto da venda for para contas bancárias controladas por Guaidó.

A nova diretoria da Citgo é liderada pela venezuelana Luisa Palacios, por quatro veteranos executivos de petróleo e pelo atual vice-presidente de Estratégia e Compliance, Rick Esser. Os novos membros ainda não assumiram seus cargos em Houston e o chavismo anunciou que os investigará na Venezuela.

Um quarto funcionário de alto escalão da Citgo, o auditor-geral Eladio Pérez, também foi retirado de seu escritório na segunda-feira, de acordo com uma das fontes ouvidas pela agência Reuters.

O gerente da Citgo para responsabilidade social corporativa e assuntos legislativos, Larry Elizondo, se recusou a comentar a situação. Ele disse que não estava autorizado a falar publicamente sobre o assunto. Uma porta-voz da Citgo não respondeu aos pedidos de comentários.

Escalona, Suarez e Pérez não responderam os pedidos de entrevista. Um assistente de Gygax disse que ela ainda não tinha sido informada sobre a decisão.

Também na segunda-feira, uma unidade da Citgo na ilha caribenha de Aruba informou que um projeto para reformar e reabrir uma refinaria ociosa alugada pela empresa desde 2016 e capaz de processar 209 mil barris por dia foi suspenso e que os funcionários remanescentes serão demitidos até o fim de fevereiro em razão das sanções. / REUTERS

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