Isaf/AP
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Ciúme de amante e e-mails hostis revelaram escândalo que abala a CIA

Presidente da Comissão de Inteligência do Senado anunciou investigação sobre a forma como o FBI tratou a sindicância sobre Petraeus

O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2012 | 02h09

WASHINGTON - A carreira do general David Petraeus - que se demitiu da direção da CIA na semana passada ao admitir uma relação extraconjugal com sua biógrafa, Paula Broadwell - foi abalada por e-mails supostamente rudes e hostis que sua amante teria enviado para outra mulher, supostamente por ciúme. Agora, a CIA, o FBI e a Casa Branca terão de esclarecer ao Congresso a vida amorosa do militar e explicar o que levou as autoridades federais a investigar seus correios eletrônicos.

 

O próprio Petraeus poderá ter de enfrentar os parlamentares. "Foi um grande choque", disse a senadora democrata Dianne Feinstein, que preside a Comissão de Inteligência do Senado. Dianne queria que Petraeus se apresentasse nesta semana para falar sobre o que a CIA sabia sobre o ataque ao consulado dos Estados Unidos em Benghazi, na Líbia, em 11 de setembro. Segundo um funcionário do FBI, a polícia federal americana, as comissões não foram avisadas antes porque, inicialmente, a investigação era de ordem criminal - motivada por uma série de e-mails ofensivos que a amante de Petraeus, Paula, uma oficial da reserva do Exército, graduada em West Point, enviara para outra mulher.

Num primeiro momento, a identidade dessa outra mulher e o tipo de ligação que ela tinha com Paula ou Petraeus eram desconhecidos. Mas a investigação levou os agentes federais ao e-mail da amante de Petraeus, revelando seu relacionamento com o general de 60 anos, informou um funcionário do FBI.

Dianne Feinstein afirmou que soube do caso extraconjugal de Petraeus pela imprensa e ficou sem palavras quando ouviu do próprio general, num telefonema, a confirmação da notícia, na sexta-feira. Desde então, o FBI tem mantido Dianne informada sobre o caso, mas ela quer saber porque não foi avisada antes da investigação a que o diretor da CIA estava sendo submetido. "Somos perfeitamente capazes de manter as coisas em sigilo", disse ela em entrevista à emissora Fox News. "Se a informação chega até nós, podemos ao menos começar a refletir e, em seguida, planejar. Desta vez, obviamente, não nos foi dada essa oportunidade."

Petraeus deveria comparecer ao Congresso na quinta-feira. Agora, caberá ao vice-diretor da CIA, Michael Morell, responder aos questionamentos dos congressistas. De qualquer forma, em encontros que terão esta semana com as lideranças de ambas as comissões, Morell e o vice-diretor do FBI, Sean Joyce, também serão questionados para revelar quem, e em que momento, recebeu a informação de que Petraeus estava sendo investigado, informou um graduado assessor parlamentar.

De acordo com um alto funcionário do setor de espionagem dos EUA, o diretor nacional de inteligência do país, James Clapper, soube da investigação na noite da eleição presidencial, quando foi notificado pelo Departamento de Justiça. Em seguida, Clapper ligou para Petraeus e o aconselhou a renunciar. Mas o comunicado do FBI para as comissões parlamentares que supervisionam a CIA só foi feito na sexta-feira, quando a notícia sobre o caso amoroso de Petraeus já circulava na administração.

De acordo com a fonte, a preocupação com a possibilidade de que os e-mails trocados entre Petraeus e Paula tivessem ocasionado alguma violação de informações sigilosas fez com que o FBI procurasse diretamente o general. Embora não estivesse infringindo nenhuma lei com seu relacionamento extraconjugal, Petraeus achou melhor renunciar.

"Ele decidiu contar a verdade", diz Steve Boylan, um oficial da reserva que já foi porta-voz de Petraeus e falou com o ex-chefe no sábado. Segundo Boylan, na conversa, o general lamentou o mal que fez à sua "maravilhosa família" e o desgosto que causou à sua mulher. Petraeus é casado há 38 anos. "Ele fez besteira, sabe que fez besteira e agora vai ter que tentar superar isso."

Na época em que Petraeus comandou as tropas americanas no Afeganistão, seus subordinados estranhavam o tempo que Paula passava com ele.

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