Wally Santana/AP
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Civis e miltares protestam em Seul contra o conflito das Coreias

Manifestantes em Seul pedem resposta mais enfática contra a Coreia do Norte

Cláudia Trevisan, Correspondente

27 de novembro de 2010 | 11h47

Civis e militares veteranos sul-coreanos protestaram neste sábado, 27, nas ruas de Seul (Coreia do Sul) para manifestar seu descontentamento com a resposta de seu país ao ataque realizado pela Coreia do Norte contra a ilha de Yeongpyeong na terça-feira, no qual quatro pessoas morreram e 15 ficaram feridas.

As duas vítimas militares foram enterradas neste sábado em uma cerimônia transmitida em rede nacional de televisão, na qual o comandante dos fuzileiros navais, Yoo Nak-jun, prometeu vingança. 

 

"Nós vamos dar uma resposta à Coreia do Norte 100 vezes, 1.000 vezes maior pelas mortes e ferimentos atrozes de nossos soldados", declarou Yoo no tributo aos dois marinheiros, que tinham 20 e 22 anos de idade.

 

A manifestação dos militares reuniu cerca de 1.000 pessoas, que queimaram uma bandeira norte-coreana e imagens do ditador Kim Jong-il.

 

"Nós não podemos mais tolerar as provocações bárbaras da Coreia do Norte", disse à TV Al Jazeera o soldado reformado Ahan Seung-choon.

 

O grupo de civis se reuniu nos arredores do Ministério da Defesa, para exigir que o governo responda aos ataques do norte.

 

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O descontentamento com a reação sul-coreana levou à queda do ministro da Defesa na semana passada e se reflete na cobertura realizada pela imprensa local. Um dos mais importantes jornais do país, Chosun Ilbo, publicou editorial na sexta-feira com o título "Coreia do Sul deve parar de agir como um tigre de papel".

 

O editorial ressalta que o Exército sul-coreano prometeu várias vezes pagar a Coreia do Norte em "dobro ou triplo" por suas "provocações", mas nunca cumpriu as ameaças. "Kim Jong-il e seus comparsas devem pensar que a Coreia do Norte é um tigre de papel."

 

A tensão na região poderá se agravar ainda mais a partir de hoje, quando a Coreia do Sul e os Estados Unidos dão início a quatro dias de exercícios militares na faixa marítima que separa a península da China.

 

Principal aliado da Coreia do Norte, Pequim está sob pressão internacional para usar sua influência sobre o regime de Pyongyang para conter a escalada de violência na região. Mas dentro do país, grande parte da imprensa, da opinião pública e de analistas acredita que a responsabilidade pelo início do confronto é da Coreia do Sul.

 

"Seul ignorou os apelos da Coreia do Norte e realizou disparos que atingiram águas territoriais que os norte-coreanos consideram como suas. A região da fronteira marítima é uma área sob disputa, na qual nenhum dos dois lados deveria realizar qualquer ato hostil", afirmou Shen Dingli, professor de Relações Internacionais da Universidade de Fudan, com sede em Xangai.

 

A Coreia do Sul reconheceu que realizou disparos na região antes do ataque do país vizinho, mas ressaltou que eles não tinham por alvo a Coreia do Norte. Apesar de responsabilizar Seul, Shen ressaltou que a reação de Pyongyang foi desproporcional, já que os disparos sul-coreanos não provocaram mortes ou danos materiais.

 

Na imprensa chinesa, sujeita à censura, a informação predominante é a de que a Coreia do Sul deu início ao confronto, interpretação que acaba reduzindo a responsabilidade da China em relação a seu aliado. "A China não pode pedir que a Coreia do Norte não responda a um ataque", ressaltou Shen.

 

Na internet, a maioria dos comentários deixados em fóruns de discussão sobre o assunto dá razão à Coreia do Norte e sustenta que a Coreia do Sul iniciou o confronto. A maior parte dos internautas também vê o conflito como algo que deve ser resolvido pelos dois lados da península, sem envolvimento da China.

 

Jia Qingguo, da Universidade de Pequim, tem uma visão mais crítica em relação ao norte e observa que ainda não está claro de quem é a responsabilidade pelo início da crise. De qualquer maneira, ele observa que a Coreia do Norte agiu de maneira "irresponsável" ao atacar a ilha de Yeongpyeong, provocando a morte de dois militares e dois civis.

 

Em sua opinião, o melhor desfecho para o conflito sob a ótica chinesa seria a Coreia do Norte abrir mão de suas ambições nucleares e o Ocidente – em especial os Estados Unidos – dar garantias de que não atacará o país. 

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