Civis fogem de cidade afegã antes de ataque dos EUA

Carros e caminhões lotavam hoje a principal estrada de acesso à cidade sitiada pelo Taleban de Marjah, no Afeganistão, enquanto centenas de civis desafiam as ordens do grupo militante e fogem antes de um ataque que será realizado pelos tropas norte-americanas e afegãs.

AE-AP, Agencia Estado

12 de fevereiro de 2010 | 17h29

Anciãos tribais pediram à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que encerrem a operação rapidamente para evitar atingir civis - um apelo que traz alguma esperança de que as pessoas da cidade irão cooperar com as forças afegãs e internacionais depois que o Taleban tiver ido embora.

Milhares de soldados circundam a cidade de Marjah na província de Helmand, prontos para entrar na comunidade agrícola, expulsar o Taleban e restaurar o controle do governo sobre uma importante base de fornecimento de papoula, localizada a 610 quilômetros sudeste de Cabul.

Assim que a cidade estiver segura, a Otan espera fornecer ajuda rapidamente e restaurar os serviços públicos numa tentativa de conquistar o apoio dos estimados 125 mil habitantes de Marjah e das vilas ao redor.

Embora a operação em Marjah tenha começado semanas atrás com a movimentação das tropas, comandantes norte-americanos não revelaram quando o principal ataque vai acontecer. Eles assinalaram que deixaram clara a intenção de atacar a cidade na esperança que os civis busquem abrigo em outros lugares.

A operação, sob os auspícios da Otan, é a maior ofensiva desde que o presidente Barack Obama anunciou, em dezembro, o envio de mais 30 mil militares para o Afeganistão. A ação será um teste significativo para a nova estratégia norte-americana de combater o Taleban.

Moradores disseram à agência de notícias Associated Press nesta semana, por telefone, que os combatentes do Taleban os impedem se deixar a cidade, afirmando que há minas terrestres nas estadas que vão diminuir o avanço das forças da Otan.

Apesar disso, a estrada entre Marjah e a capital da província, Lashkar Gah, a 30 quilômetros, estava cheia nesta sexta-feira, com centenas de carros e caminhões cheios de pessoas que fugiam do ataque. Muitos disseram que tiveram de partir rapidamente e em segredo para evitar a recriminação dos comandantes do Taleban.

"Nós não temos permissão para sair daqui. Não trouxemos nenhum de nossos pertences. Estamos apenas tentando sair", disse Bibi Gul, uma idosa usando um lenço preto que chegou a Lashkar Gah com três de seus filhos. Ela deixou outros três filhos em Marjah.

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