Civis morrem em fogo cruzado na Somália

Artilharia pesada e tiros de morteiro atingiram nesta sexta-feira o norte de Mogadiscio, na Somália, durante o sexto dia consecutivo de combates entre uma milícia islâmica e guerreiros seculares. Os confrontos tem como objetivo o controle de um vilarejo próximo à capital do país.O número de mortos desde o início dos conflitos aumentou para pelo menos 135 após os corpos dos que morreram na noite de quinta-feira terem sido retirados do vilarejo Sii-Sii. Milhares de residentes fugiram, deixando suas casas para os guerreiros da União da Corte Islâmica e da Aliança para a Restauração da Paz e Antiterrorista, as duas forças que se enfrentam pelo controle da região. As batalhas na Somália são geralmente provocadas por embates entre diferentes clãs, e costumam ser economicamente motivadas. Essa batalha, porém, possui também uma conotação ideológica - sobre se o país deve ou não ser governado pela Sharia, a Lei Islâmica. Tal disputa dá cada vez mais força ao que os moradores de Mogadiscio chamam de a pior batalha em mais de uma década de ilegalidade. A maioria dos mortos eram civis pegos pelo fogo cruzado. Guerreiros começaram a saquear algumas das casas em meio a intensos tiroteios por todas as partes nesta sexta-feira, segundo afirmaram testemunhas. Mais de 280 pessoas ficaram feridas desde domingo passado, informaram médicos locais. Idosos pertencentes a clãs locais aparentemente desistiram de negociar um cessar-fogo.Na quinta-feira, uma milícia leal à União da Corte Islâmica forçou a entrada de dezenas de tropas em uma batalha pela estratégica estrada que corta Sii-Sii. Os reforços, fortemente armados, chegaram em picapes com metralhadoras acopladas. Enquanto a aliança lutava para manter a estrada, os membros da corte controlavam o vilarejo. A aliança acusa a corte de ter laços com a Al-Qaeda, enquanto o grupo islâmico afirma que os comandantes de guerra são marionetes dos Estados Unidos.Os membros da corte são populares em Mogadiscio porque conquistaram estabilizar o governo da cidade, enquanto no passado eles sempre estiveram divididos em clãs. Os fundamentalistas islâmicos se consideram uma alternativa capaz de trazer ordem e paz a um país que não conta com um governo central desde 1991 e que construiu suas forças como parte de uma campanha para instalar um governo islâmico na Somália. Esta última batalha pode ser apenas o início. Outras milícias independentes ainda não entraram na batalha, mas continuam defendendo os vilarejos que controlam, e a tensão aumenta cada vez mais.

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