Civis sírios poderão deixar Homs

As negociações de paz entre o regime sírio e os rebeldes que tentam depor o presidente Bashar Assad produziram seu primeiro efeito concreto neste domingo. De acordo com o mediador internacional para a crise, Lakhdar Brahimi, os civis encurralados em Homs - cidade síria sob cerco das forças do governo há mais de um ano - poderão "a partir de agora" deixar a localidade, fugindo dos intensos combates da região.

AE, Agência Estado

26 de janeiro de 2014 | 18h36

Brahimi reconheceu que o acordo sobre Homs não alcançou suas próprias expectativas, de organizar um comboio de ajuda humanitária. Mas mulheres e crianças já podiam sair da cidade a partir de hoje.

"Vai levar tempo para retirar a Síria do fosso em que caiu", declarou.

Homs, uma das primeiras cidades sírias a se insurgir contra o regime, foi atacada granadas de morteiros neste domingo.

Brahimi defendeu o lento ritmo das conversas de paz em Genebra. As dúvidas sobre se a negociação chegará a tratar do futuro político da Síria. "Acho que ir devagar demais é uma maneira melhor do que rápido demais. Se você corre, pode ganhar uma hora - e perder uma semana."

De acordo com Brahimi, o tema mais espinhoso das conversas, um eventual governo interino de transição, não seria discutido ontem. "Acho que isso diminui a importância dessa conferência e o objetivo que traçado para ela", afirmou Bouthaina Shaaban, conselheiro de Assad.

Os negociadores da Coalizão Nacional Síria - que tem o apoio do Ocidente e reúne insurgentes exilados, em sua maioria - alegam que Assad perdeu legitimidade ao reprimir militarmente os protestos inicialmente pacíficos que pediam sua renúncia, há quase três anos. Para os opositores, Assad não pode mais governar, após ter ordenado ataques contra seu próprio povo.

Os representantes do governo, por sua vez, afirmam que os rebeldes que combatem as forças do governo são predominantemente "terroristas" e alegam que Assad é a única pessoa capaz de terminar com a guerra civil que já deixou mais de 130 mil mortos.

Além de estabelecer o acordo preliminar sobre Homs, os rivais sírios discutiram ajuda humanitária e libertação de prisioneiros na sessão que mantiveram na manhã de ontem - que tinha como objetivo construir algum tipo de confiança entre as partes.

Ambos os lados, porém, discordavam até nas questões mais básicas e Brahimi teve de se reunir separadamente com cada delegação. A intenção, segundo o delegado opositor Ahmed Ramadan, era abrir caminho para a discussão da aplicação do pacto Genebra 1, elaborado em 2012, que pede a implementação de um governo de transição na Síria por meio de mútuo acordo entre o regime e os rebeldes. Fonte: Associated Press.

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