Civis tâmeis acusam militares de execuções

Forças do governo teriam assassinado rebeldes capturados e tolerado sequestro de crianças

THE GUARDIAN, O Estadao de S.Paulo

23 de maio de 2009 | 00h00

Uma semana depois de derrotar uma das mais violentas guerrilhas do mundo, pondo fim a uma guerra civil de 26 anos, o governo do Sri Lanka é acusado de executar rebeldes capturados, além de permitir o sequestro de crianças refugiadas por grupos paramilitares.O governo tem negado o acesso das agências humanitárias aos campos que abrigam mais de 250 mil refugiados sob o argumento de que 3 mil remanescentes do grupo Tigres de Libertação do Eelam Tâmil (LTTE, na sigla em inglês) estão escondidos entre os civis.Esta semana, testemunhas disseram ter encontrado 11 corpos de mulheres degoladas num campo perto da cidade de Vavuniya, no norte do Sri Lanka. As vítimas tiveram suas cabeças raspadas, o que, segundo os refugiados que vivem no campo, tem sido uma prática usada para identificar os tâmeis que fizeram parte da guerrilha.ORIGEMO LTTE foi fundado em 1976 para defender a criação de um Estado independente para os membros da etnia tâmil, minoritária no Sri Lanka, de maioria cingalesa.Desde 1983, os dois lados enfrentavam-se numa guerra civil que, segundo a ONU, pode ter provocado a morte de até 100 mil pessoas. Há uma semana o governo conseguiu derrotar a guerrilha, depois de encurralar seus membros numa praia do nordeste da ilha.Depois do fim da guerra, organizações humanitárias acusaram o governo de permitir a entrada de grupos paramilitares cingaleses nos acampamentos que abrigam, principalmente, os refugiados tâmeis. Esses grupos teriam sequestrado 12 crianças no mesmo campo onde ocorreram as execuções, de acordo com a coalizão de organizações de direitos humanos Stop the Use of Child Soldiers (Parem com o Uso de Crianças-Soldado).O governo defendeu-se das acusações dizendo que os próprios civis podem estar matando os ex-combatentes tâmeis em vingança pelas atrocidades cometidas pelo LTTE durante a ofensiva final. Colombo afirma que o grupo manteve 50 mil civis na linha de fogo, como escudo humano, numa tentativa de retardar o avanço das tropas do Exército cingalês."Não sei quanto tempo mais poderemos viver nessas condições", disse um dos moradores do campo ao jornal londrino The Guardian, por meio de uma fonte com acesso ao local. O governo proíbe a entrada de jornalistas na área. "Há muita gente. Não sei por que o governo demora tanto em definir nosso reassentamento."O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, chegou ontem a Colombo nas primeiras horas da manhã (horário local), depois de um voo de 12 horas que partiu de Frankfurt, na Alemanha.Ban reiterou ao governo do Sri Lanka o pedido de respeito aos civis e voltou a cobrar livre acesso das equipes humanitárias aos campos de refugiados.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.