Clandestinos morrem no deserto do Arizona

Catorze imigrantes ilegais morreram e pelo menos dois continuavam desaparecidos nesta quinta-feira, depois de terem sido abandonados cinco dias antes por traficantes de imigrantes clandestinos em meio ao intenso calor do deserto do Arizona, disse a Patrulha de Fronteiras americana. O número de mortos é recorde para imigrantes ilegais no Arizona. Pouco depois do amanhecer, outro imigrante foi encontrado com vida pelos funcionários, que, na quarta-feira, a bordo de helicópteros e veículos terrestres com tração nas quatro rodas, vasculharam toda a região à procura dos imigrantes. Eles já haviam encontrado 11 sobreviventes, que foram hospitalizados em estado de grave desidratação e esgotamento devido às altas temperaturas que enfrentaram. Também na quarta-feira, os patrulheiros haviam localizado 11 cadáveres e outra pessoa havia morrido a caminho do hospital. Por volta da meia-noite, a equipe de resgate encontrou um cadáver e outro corpo foi encontrado cinco horas mais tarde, disse o porta-voz dos patrulheiros em Yuma, Maurice Moore. O porta-voz policial indicou que as pegadas encontradas sugerem que outras três pessoas continuam desaparecidas. Inicialmente, as autoridades havia calculado o número de desaparecidos em quatro e não cinco. "Continuaremos a busca até nos certificrmos de que não restou ninguém neste fim de mundo", disse Moore. Os sobreviventes, alguns dos quais disseram ter vindo do estado mexicano de Veracruz, afirmaram que foram transportados ao território americano no sábado até a região áspera e pedregosa a leste de Yuma, no Arizona, conhecida como Refúgio Silvestre Cabeça Preta. Ali os traficantes os abandonaram, prometendo-lhes que voltariam trazendo água e dizendo-lhes que caminhassem "um par de horas" até chegarem a uma estrada asfaltada. Mas eles nunca retornaram, e a estrada ficava a mais de 80 km de distância do ponto em que os imigrantes foram deixados. A Patrulha de Fronteiras iniciou seus trabalhos de busca e salvamento na quarta-feira, quando encontraram cinco imigrantes isolados que lhes pediram ajuda. Enquanto a temperatura subia a 46 graus centígrados, os patrulhheiros encontraram outros seis sobreviventes - um dos quais morreu a caminho do hospital - e 11 cadáveres. As equipes de busca baseadas em Wellton, a cerca de 210 quil}ômetros a sudoeste de Phoenix, procuravam outros quatro imigrantes considerados desaparecidos. Os cadáveres foram encontrados a cerca de 40 km da fronteira com o México. Os 14 cadáveres constituem o maior grupo de imigrantes ilegais mortos durante a tentativa de cruzar a fronteira dos EUA desde que 13 salvadorenhos faleceram em idêntica empreitada em julho de 1980. "Isto prova a crueldade desses traficantes de imigrantes que lidam com a vida humana como se fosse uma mercadoria", disse o porta-voz da Patrulha de Fronteiras em Tucson, René Noriega. O sul do Arizona se tornou um ponto muito procurado por grupos de imigrantes clandestinos para cruzar a fronteira devido à intensificação da vigilância na Califórnia e no Texas desde os anos 90.

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