Clegg exigiu de Brown renúncia para eventual pacto

Líder liberal-democrata diz que foi essencial para chegar ao acordo

Efe,

12 de julho de 2010 | 05h36

LONDRES - O líder liberal-democrata Nick Clegg disse ao anterior primeiro-ministro do Reino Unido, o trabalhista Gordon Brown, que não teria mais remédio a não ser apresentar sua demissão para que ambos os partidos pudessem chegar a um eventual pacto de governo.

Assim revela o ex-ministro britânico para a Empresa Peter Mandelson em suas memórias, que começou a publicar em forma de série no jornal The Times.

Mandelson esteve presente nas negociações que seguiram as eleições gerais de maio, nas quais nenhum dos três maiores partidos parlamentares - incluindo o conservador - conseguiu a maioria absoluta.

O ex-ministro trabalhista e membro da Câmara dos Lordes descreve uma reunião secreta na qual Clegg, atualmente vice-primeiro-ministro em uma coalizão com os conservadores de David Cameron, disse a Brown que teria que se sacrificar para um eventual pacto de centro-esquerda.

"Deve compreender que não sinto animosidade pessoal... Mas não é possível legitimar uma eventual coalizão e ganhar um plebiscito a menos que o senhor deixe o cargo com dignidade", diz Clegg ao líder trabalhista.

Segundo Mandelson, Brown não deu uma resposta imediata a seu interlocutor, mas pouco depois acudiria ao palácio de Buckingham para comunicar à rainha que deixava o cargo.

Mandelson revela por outro lado que o antecessor de Brown em Downing Street, seu correligionário Tony Blair, disse também a este que não poderia liderar em nenhum caso uma coalizão com os liberais.

Segundo Mandelson, Brown terminou reconhecendo que teria que deixar o poder, mas não quis dar a impressão que o fazia à força. "Já sofri humilhações suficientes", disse o ainda primeiro-ministro, segundo seu correligionário.

Tudo o que sabemos sobre:
Clegg, Brown, pacto, renúncia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.