David Moir/Reuters
David Moir/Reuters

Clegg volta atrás e aceita possível coalizão com Partido Trabalhista

Líderes políticos do país alertaram para divisão do Parlamento em três forças

AE, Agência Estado

27 de abril de 2010 | 07h15

Um dia após dizer não à hipótese de participar de um governo de coalizão formado pelos partidos Trabalhista e Liberal, o candidato centrista à eleição no Reino Unido, Nick Clegg, mudou de opinião e afirmou que pode formar um governo com os trabalhistas, mas não com o premier Gordon Brown. "Não acho que os britânicos o queiram mais como primeiro-ministro", disse nesta terça-feira, 27.

A mudança do discurso veio após uma batelada de críticas de líderes políticos do país, que advertiram para o risco de divisão do Parlamento em três forças, o que impediria a formação de um governo forte. As declarações de Clegg sobre a hipótese de coalizão com os trabalhistas foram feitas à BBC no domingo. O liberal disse considerar "absurda" a ideia de que um partido acabe em terceiro na contagem geral dos votos, mas nomeie o premier.

Com a resposta, Clegg quis desmentir os rumores de que seu partido pudesse formar uma aliança com os trabalhistas para evitar a posse do conservador David Cameron. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

Corte de gastos

 

Todos os três partidos do Reino Unido começaram a sofrer pressão para anunciar a dimensão de seus planos para cortes dos gastos públicos nesta terça-feira, 27, após o anúncio de uma instituição financeira de que os trabalhistas estavam planejando a maior contenção nas despesas públicas desde a II Guerra Mundial. As informações são da edição online do jornal The Guardian.

 

Segundo o Instituto para Estudos Fiscais (IFS, na sigla em inglês), que fez uma auditoria os planos econômicos dos principais partidos, todos os três tem sido "extremamente reticentes" com os cortes pós-eleições.

 

Em seu relatório, o IFS afirma que os cortes nos gastos planejados pelos liberais-democratas e trabalhistas são os mais severos desde os anos 70, e que os planos dos conservadores são os mais severos dentre os três partidos.

 

O diretor do IFS, Robert Chote, criticou as três siglas por não darem detalhes de seus planos econômicos para o eleitorado. "Todos eles são vagos em seus planos de gastos públicos. A culpa recai sobre o governo, que se negou a fazer uma revisão de gastos antes das eleições", afirmou.

 

De acordo com o instituto, 87% dos cortes de gastos planejados pelo Partido Trabalhista não foram anunciados, 82% dos planos dos conservadores não foram especificados e 74% dos cortes dos liberais-democratas não foram detalhados.

 

As considerações sobre os gastos públicos ocorrem poucos dias antes de um terceiro e último debate que será transmitido pela TV na próxima quinta-feira, cujo tema deve ser economia. Na quinta de manhã, o prestigiado Instituto Nacional para Pesquisas Econômicas e Sociais deve divulgar seus estudos sobre finanças públicas, e se as medidas do atual governo funcionaram e precisam ser mantidas.

 

Em uma coletiva de imprensa nesta terça, o ministro dos Negócios, Peter Mandelson, foi atacado por jornalistas pela recusa do seu partido em prover detalhes de seus cortes de gastos planejados. O editor de política do canal Sky News, Adam Boulton, leu uma lista de possíveis cortes que o Partido Trabalhista faria se ganhasse as eleições, publicada pelo jornal Financial Times. Mandelson se defendeu ao afirmar que nem o FT, muito menos o IFS estavam concorrendo às eleições.

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