Clérigo adverte sobre ocupação estrangeira no Iêmen

O mais influente clérigo do Iêmen, acusado pelos Estados Unidos de ter ligação com a Al-Qaeda, advertiu hoje o governo sobre permitir a "ocupação estrangeira" do país com a crescente cooperação com os Estados Unidos contra o grupo terrorista. As declarações do xeque Abdul-Majid al-Zindani refletem a profunda desconfiança entre os iemenitas sobre as intenções de Washington em relação às atividades de ajuda e treinamento no combate ao terrorismo.

AE-AP, Agencia Estado

11 de janeiro de 2010 | 17h23

Al-Zindani, um clérigo radical que já foi associado à Osama bin Laden no Afeganistão, é muito influente entre os iemenitas. "Nós aceitamos qualquer cooperação dentro dos limites do respeito e dos interesses conjuntos e rejeitamos a ocupação militar de nosso país. E não aceitamos que a colonização seja retomada", disse al-Zindani.

"Os governantes e o povo do Iêmen devem ser cautelosos antes que a tutela (estrangeira) seja imposta", disse o clérigo. "O dia em que o Parlamento permitir a ocupação do Iêmen, as pessoas vão se levantar contra isso e derrubá-lo."

Estados Unidos

O presidente Barack Obama disse que não planeja enviar forças de combate norte-americanas ao Iêmen e o governo de Sanaa afirmou que não vai permitir que isso aconteça.

Militares norte-americanos estão ajudando a treinar as forças iemenitas no combate ao terrorismo e deram ajuda de inteligência e logística em ataques aéreos realizados no mês passado contra supostos esconderijos da Al-Qaeda que, segundo o Iêmen, mataram dezenas de militantes.

Al-Zindani é uma figura controversa na política iemenita. Os Estados Unidos o chamam de "terrorista global", afirmando que ele ajuda com recursos e recrutamento da Al-Qaeda e que estudantes da universidade Iman, que ele dirige, estiveram envolvidos em ataques no passado. O vice-primeiro-ministro negou, na semana passada, que al-Zindani seja um membro da Al-Qaeda.

Procurado

O clérigo também negou ter conhecimento de qualquer atividade da Al-Qaeda no Iêmen, além de afirmar que não teve qualquer influência sobre o pregador radical americano-iemenita Anwar al-Awlaki, que é procurado pelas forças do Iêmen por ligações com a Al-Qaeda.

Al-Awlaki é um jovem clérigo, popular entre os extremistas por suas convocações à jihad, ou guerra santa, contra os americanos. Autoridades iemenitas dizem que ele pode ter se reunido com Umar Farouk Abdulmutallab no Iêmen antes do nigeriano de 23 anos ter tentado explodir um avião comercial norte-americano no Natal. O braço a Al-Qaeda no Iêmen é apontado como mentor do ataque.

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