Clérigo alertou polícia sobre extremistas islâmicos

O clérigo de uma mesquita deLondres, entre cujos freqüentadores estava o homem acusado detentar derrubar um avião com explosivos ocultos em seus sapatos,disse nesta quinta-feira que os policiis fizeram pouco casoquando ele advertiu que extremistas estavam recrutando jovensmuçulmanos. Richard Reid, que freqüentava essa mesquita de Brixton,foi controlado pelas aeromoças e passageiros quandoaparentemente quis detonar os explosivos durante um vôo daAmerican Airlines de Paris a Miami, no sábado. "Temos dito já há tempos que esta gente está recrutando(militantes). Advertimos sobre eles, e vejam o que aconteceu",disse Abdul Haqq Baker. "Quando vimos nos jornais (o queaconteceu), achamos que nosso pior pesadelo havia se tornadorealidade".Baker disse que Reid - também conhecido como Abdel Rahim- se afastou da comunidade de Brixton depois de ser cooptadopelos extremistas. Reid foi acusado de intimidar ou atacar a tripulação deum avião comercial e poderá ser sentenciado a até 20 anos deprisão.O atacante está sob custódia e vigilância constante para evitar que se suicide, enquanto passa por exames psicológicos. Segundo versões da imprensa, Reid nasceu em Londres em1973, filho de um jamaicano e de uma inglesa. Foi parar emBrixton em 1996, depois de cumprir uma sentença de prisão pordelitos de rua, disse a imprensa. A Scotland Yard não quis darnenhum detalhe sobre seus antecedentes. Personalidade agradável - Baker disse que Reid tinha "uma personalidade muitoagradável, amistosa, afável, com o entusiasmo dosrecém-convertidos". Mas também acrescentou que era "muitoimpressionável", e receptivo aos extremistas que distribuíamvolantes no local. Segundo Baker, Reid começou a freqüentar a mesquitaquase ao mesmo tempo que Zacarias Moussaoui, francês deascendência marroquina acusado nos EUA de conspiração vinculadaaos ataques de 11 de setembro naquele país.A cadeia ABC informou na quarta-feira nos EUA que asautoridades policiais européias tinham provas de que houvecontatos entre Moussaoui e Reid no fim do ano passado e que osdois passaram algum tempo juntos em um campo de treinamento darede Al-Qaeda de Osama bin Laden. Segundo a ABC, fontes que a rede não identifica disseramque alguns suspeitos membros da Al-Qaeda detidos no Afeganistãoidentificaram Reid em fotografias que lhes foram apresentadaspelos interrogadores. "Nos últimos tempos em que Zacarias Moussaoui assistiaaos serviços relgiosos da comunidade e manifestava abertamenteseus pontos de vista, o senhor Reid também estava presente",havia dito Baker à imprensa. "Tenho firme convicção de queambos assistiam a aulas dadas por extremistas e que não poderiamassistir em nosso centro", acrescentou. Ingenuidade - Baker duvidou de que Reid pudesse ter agido por contraprópria. "Ele podia ser facilmente manipulado", explicou. "Omodo pelo qual tentou cometer este ato (a tentativa de explosãodo avião) demonstra sua ingenuidade. Foi posto à prova semsaber". O serviço secreto holandês informou nesta quinta-feira,por meio do porta-voz do Serviço de Segurança Interna, Vincentvan Steen, que está investigando informes segundo os quais Reidesteve em dezembro em Amsterdam, capital da Holanda, ondesupostamente teria comprado os sapatos (tênis) utilizados paraesconder o explosivo.Em Israel, o jornal Yediot Ahronot informou hoje queReid visitou o país em junho durante uma semana. Reid teria sidointerrogado pelo pessoal de segurança do aeroporto Ben Gurion emsua chegada, mas foi liberado, segundo o diário, que não citoufontes. A versão não pôde ser confirmada de forma independente

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.