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Clérigo egípcio denuncia que foi torturado por agentes da CIA

Um clérigo egípcio denunciou neste domingo, 25, que agentes da CIA o seqüestraram na Itália e o levaram ao Egito, onde ele foi "brutalmente" torturado. As denúncias de Osama Hassan Mustafa Nasr, também conhecido como Abu Omar, foram feitas à rede de televisão árabe Al-Jazeera, e agravam as controvérsias sobre o programa da agência secreta norte-americana.A CIA é acusada de seqüestrar suspeitos terroristas e levá-los a outros países para que sejam interrogados e torturados. Os tribunais italianos processaram 26 norte-americanos e cinco italianos por terem ligação com o caso de Nasr, que foi detido em 2003 e liberado de uma prisão egípcia no dia 11 de fevereiro.Nasr não deu detalhes sobre o caso, que a CIA se negou várias vezes a comentar. O caso do clérigo egípcio é o primeiro juízo penal relacionado com programas da CIA. Durante a entrevista, o clérigo não fez nenhuma afirmação sobre as acusações, feitas durante a semana passada, de que autoridades egípcias também o torturaram enquanto ele estava detido.Abu Omar afirmou à Al-Jazeera que tentou suicidar-se durante o período em que ficou preso. "Sim, isso aconteceu, mas não disse a ninguém porque é grave o pecado de suicidar-se", disse. "Mas fui levado a fazer isso. Estava em uma situação na qual não podia distinguir entre o céu e a terra".Na quinta-feira, 22, Nasr afirmou que temia ser preso pelo serviço secreto egípcio por ter falado em público. As declarações, feitas na cidade mediterrânea de Alexandria, foram as primeiras desde que ele deixou a prisão.Oficiais italianos afirmam que Nasr - suspeito de recrutar combatentes para trabalhar em grupos terroristas islâmicos - foi seqüestrado nas ruas de Milão, em fevereiro de 2003. Segundo eles, os seqüestradores eram agentes da CIA que contaram com ajuda de italianos. De lá, ele teria seguido para uma base aérea de Veneza e outra no sul da Alemanha até chegar ao Egito para ser interrogado.A Itália afirmou que não vai pedir a extradição dos 25 agentes da CIA e um militar da Força Aérea, mas vai submetê-los a juízo. O Departamento de Estado dos Estados Unidos expressou na ultima semana que o governo do presidente George W. Bush não tem nada a dizer sobre o caso.

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