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Clérigo muçulmano  prega conciliação entre grupos em Orlando

Imã Muhammad Musri, principal líder islâmico da Flórida, recebeu telefonemas de apoio de LGBT

Claudia Trevisan, ENVIADA ESPECIAL / ORLANDO

14 Junho 2016 | 05h00

ORLANDO - Principal líder muçulmano do centro da Flórida, o imã Muhammad Musri recebeu nos últimos dois dias dezenas de ligações de colegas da região alarmados com a onda de ameaças que suas comunidades passaram a receber depois do ataque que provocou a morte de 50 pessoas no clube gay Pulse, na cidade de Orlando. “Eles dizem que nunca viram nada igual, nem mesmo depois do 11 de Setembro”, disse Musri à reportagem.

O clérigo apareceu diante das câmaras de TV logo depois do atentado para condenar a ação de Omar Mateen e afirmar que ela não reflete os princípios de sua religião. Desde então, ele comanda um esforço de aproximação dos muçulmanos de Orlando com a comunidade LGBT. 

Na segunda-feira, ele visitou o Centro para a Comunidade LGBT da Flórida Central e ontem planejava participar de uma vigília ao lado de líderes gays em Orlando. 

Na avaliação de Musri, os muçulmanos e homossexuais têm em comum o fato de serem minorias atacadas por grupos intolerantes que professam o ódio nos Estados Unidos. “Eles não estão nos atacando agora porque amam a comunidade LGBT. Eles estão usando isso como uma desculpa para expressar seu ódio contra os muçulmanos.”

As mensagens ameaçadoras recebidas por religiosos islâmicos foram encaminhadas ao FBI e à polícia da Flórida, disse o líder religioso. Entre elas, estavam promessas de vingança e ameaças de morte. “(As mensagens) também dizem que temos de deixar esse país, ainda que muitos muçulmanos tenham nascido aqui.” 

Apoio mútuo. Diana Serrano, secretária da Sociedade Islâmica da Flórida Central, recebeu inúmeras ligações com ameaças e insultos nos últimos dias. Mas também atendeu a telefonemas de integrantes da comunidade LGBT, durante os quais compartilhou sentimentos semelhantes. “Nós dois somos julgados por nosso estilo de vida”, observou Serrano, que cresceu no catolicismo e se converteu ao islamismo há seis anos. 

Rob Domenico, do Centro para a Comunidade LGBT do Centro da Flórida acredita que a tragédia acabará fortalecendo o grupo e os laços com seus “aliados”, entre os quais mencionou heterossexuais e islâmicos. “A liderança local muçulmana nos procurou, deu entrevistas ao nosso lado e todos condenaram a violência. Esse não é um sentimento muçulmano. É algo muito isolado.”

Musri classificou o ataque à boate Pulse como um ato terrorista, mas ressaltou que tem a mesma opinião em relação ao massacre de nove pessoas no ano passado em um igreja afro-americana em Charleston, na Carolina do Sul. “A diferença é que quando o atirador tem um nome muçulmano, ele é chamado de terrorista. Se é branco e cristão, ele é acusado de cometer um crime de ódio.”

O Estado Islâmico não é um grupo muçulmano, mas sim uma organização terrorista, ressaltou o imã. “O mesmo se aplica aos grupos de supremacia branca que atacam clínicas de aborto.” 

Segundo ele, a internet desempenha um papel crucial na radicalização de jovens muçulmanos. Se eles não são ativos em suas comunidades, observou, é difícil evitar que sejam seduzidos pelo Estado Islâmico. “Nós não temos controle.”

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