Clérigo ortodoxo é detido em Jerusalém

A polícia israelense anteve preso hoje, por algumas horas, uma alta autoridade da Igreja Ortodoxa Grega em Jerusalém. Atallah Hanna, um porta-voz da Igreja, foi retirado de sua casa na Cidade Velha e levado para a sede da polícia distrital de Jerusalém. Ele é acusado de expressar apoio a organizações terroristas na Síria e Líbano. Líderes cristãos e muçulmanos exigiram a imediata libertação de Hanna, dizendo que a detenção viola os direitos de liberdade religiosa e de expressão. Israel está envolvido numa disputa com a Igreja Ortodoxa Grega e tem se recusado a reconhecer o patriarca da Igreja para a Terra Santa, Eireneos I, que foi eleito há um ano. Pelas tradições da Terra Santa, um novo patriarca tem de ser aprovado pelos governantes das áreas onde seus fiéis vivem - no caso de Eirenos, Israel, a Autoridade Palestina e Jordânia. Sem o reconhecimento, o patriarca não pode representar a igreja no trato com o país anfitrião. A Jordânia e a Autoridade Palestina reconheceram Eireneos logo após sua eleição. Autoridades da Igreja disseram que uma das razões da disputa com Israel é a recusa do patriarca em aceitar as exigências israelenses para demitir Hanna, a quem o Estado judeu considera próximo à Autoridade Palestina. Israel e a Igreja Grega também não se entendem sobre alguns dos vastos territórios controlados pelo patriarcado de Jerusalém. Partes das terras foram alugadas para Israel, e a Igreja se recusa a prorrogar o aluguel. O porta-voz da polícia israelense, Gil Kleiman, disse que Hanna estava sendo questionado sobre suspeita de que demonstrou apoio a organizações terroristas e por entrar ilegalmente no Líbano e na Síria. "Ele fez declarações na televisão nesses países demonstrando apoio a organizações terroristas e a ataques contra civis israelenses", explicou Kleiman. Israel também acredita que Hanna incitou cristãos a participar do levante palestino, segundo a Rádio de Israel. Kleiman disse que Hanna tem cidadania israelense e que os israelenses não têm permissão de entrar no Líbano e na Síria, com os quais o Estado judeu está tecnicamente em estado de guerra. Marwan Toubasi, um porta-voz da comunidade ortodoxa grega na Cisjordânia, afirmou que a detenção de Hanna faz "parte dos ataques israelenses contra a liberdade religiosa para religiosos cristãos e muçulmanos". "É uma tentativa de silenciar a voz que expressa a dor de sua comunidade, que é parte do povo palestino", considerou. O xeque Ikrema Sabri, o principal clérigo muçulmano em Jerusalém, lembrou que "existem muitos rabinos israelenses que têm opiniões extremadas contra árabes e os palestinos, e eles nunca foram detidos pela polícia de Israel."

Agencia Estado,

22 Agosto 2002 | 14h09

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