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Clérigo pede que Paquistão reconstrua a Mesquita Vermelha

Seminário islâmico destruído foi palco de choques entre fundamentalistas e militares que mataram ao menos 100

Agências internacionais,

28 de março de 2008 | 12h13

Um líder religioso paquistanês exigiu nesta sexta-feira, 28, que o novo governo de seu país reconstrua o seminário islâmico devastado durante uma sangrenta operação militar desencadeada no ano passado contra radicais muçulmanos entrincheirados na Mesquita Vermelha, em Islamabad. O clérigo Mohammed Amir Siddiq também pediu pela libertação de Maulana Abdul Aziz, o líder religioso radical que era responsável pelo templo na época da operação militar. Abdul Aziz, tio de Siddiq, foi detido quando tentava fugir vestindo um traje islâmico feminino antes de os militares terem tomado o controle da mesquita em julho do ano passado. Mais de cem pessoas morreram na operação militar. Siddiq disse a jornalistas que o governo deveria reconstruir o seminário para mulheres. A escola religiosa situava-se ao lado da mesquita e foi demolida depois da ação militar. As estudantes do seminário atuavam na linha de frente de uma campanha independente de promoção da virtude e prevenção ao vício em Islamabad que desencadeou a operação militar. Segundo a BBC, as madrassas da Mesquita Vermelha, tanto a masculina como a feminina, sempre tiveram reputação de ser centros de radicalismo islâmico. Vários de seus estudantes vêm de regiões tribais, onde os movimentos fundamentalistas são mais fortes. Em declarações feitas na década de 90, Abdul Rashid Ghazi, que administrava o local junto com seu irmão Maulana Abdul Aziz, chegou a admitir ter boas relações com a Al-Qaeda e Osama Bin Laden.  Mas após os atentados de 11 de setembro de 2001, o local passou a entrar em conflito com o governo do presidente Pervez Musharraf, que tornou o Paquistão um dos maiores aliados americanos na guerra contra o terror. A mesquita vinha continuamente denunciando a posição de Musharraf, chegando a defender seu assassinato. Acredita-se que alguns atentados contra o presidente tenham sido de responsabilidade de grupos ligados à organização, como o Jaish-e-Mohammad.  No ano passado, a Lal Masjid liderou o movimento contra os planos do governo de demolir madrassas em Islamabad alegando irregularidades. Quando, em julho do ano passado, as escavadeiras começaram a destruir parte do complexo, as estudantes, apoiadas por dezenas de militantes fortemente armados, juraram resistir até a morte. O cerco à mesquita durou dez dias. O total de mortos é controverso. O governo fala em 100 pessoas, outras estimativas sugerem números bem mais altos. O prédio em frente, de onde as forças de segurança disparavam contra os estudantes, está em ruínas. Da Madrassa, não existe mais nada. Mesmo assim, os carros costumam reduzir a velocidade quando passam pelo terreno vazio, cumprimentando os poucos estudantes ainda presentes com sinal de reverência. Segundo moradores locais, em respeito pelos que morreram.

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