Clérigo vira voz da oposição iraniana

Mehdi Karoubi emerge como líder e principal defensor dos protestos pós-eleitorais no país

AFP, REUTERS E LATIMES, O Estadao de S.Paulo

09 de setembro de 2009 | 00h00

O clérigo Mehdi Karoubi, umas das figuras centrais da Revolução Islâmica em 1979, vem se transformando, cada vez mais, na voz improvável da oposição iraniana. Aos 72 anos, Karoubi, um dos candidatos derrotados pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad nas eleições presidenciais de junho, é um dos poucos líderes do país que continuam desafiando as autoridades, pedindo abertamente que a população saia às ruas para protestar contra o regime.

"Eu sinto que sou obrigado a lutar pelos direitos da população", afirmou Karoubi na segunda-feira, em uma rara entrevista concedida a jornalistas ocidentais. "Gostaria de ser lembrado pelas futuras gerações como alguém da elite de clérigos do país que se manteve firme a seus princípios na defesa do povo."

Recentemente, em entrevista ao jornal britânico  The Times, Karoubi, que foi presidente do Parlamento por sete anos, falou sobre os maiores protestos desde a Revolução de 1979. "Mudanças políticas podem ser feitas de duas maneiras. A que estamos reivindicando é uma mudança dentro do sistema e da Constituição, respeitando os direitos dos cidadãos."

Segundo ele, o objetivo da oposição nos próximos meses será lutar pelo relaxamento das restrições à imprensa, liberdade de reunião, fim dos julgamentos de opositores e por uma reforma eleitoral que tire poder do Conselho dos Guardiães, órgão que fiscaliza as eleições.

Karoubi diz que não tem medo de ser preso ou assassinado. Ele reconhece que a oposição tem poucos recursos materiais, mas está com o moral alto. "Não irei me esconder. Sempre atuei de maneira pública e aberta, e pretendo continuar assim."

Ontem, autoridades iranianas interditaram o escritório de Karoubi. Os cerca de 15 agentes que invadiram o local apreenderam documentos, fotografias e confiscaram computadores. Seu principal assessor, Morteza Alviri, foi preso pouco depois em casa.

Na segunda-feira, forças de segurança já haviam ocupado um escritório mantido por aliados do opositor Mir Hossein Mousavi, segundo colocado na eleição, e também levaram documentos.

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