Clérigos criticam Ahmadinejad por abrandar uso de véu

Um líder clerical linha-dura defendeu hoje as ações severas contra mulheres que não usam o véu islâmico de maneira apropriada depois que o presidente Mahmoud Ahmadinejad ter dito que se opõe às restrições. "Ninguém tem o direito de proibir a polícia de agir contra o uso incorreto do hijab (véu islâmico)", disse o aiatolá Ahmad Jannati, em sermão proferido durante as orações semanais em Teerã.

AE, Agência Estado

18 de junho de 2010 | 14h02

"Embora tenhamos muitos problemas políticos e econômicos, a questão da segurança moral não pode ser esquecida sob o pretexto de que há problemas mais importantes", disse Jannati, que preside o poderoso Conselho de Guardiães, que supervisiona eleições e veta leis.

Pela lei, as mulheres no Irã devem estar cobertas dos pés a cabeça, com os cabelos completamente cobertos pelo véu. A interação social é proibida entre homens e mulheres que não tiverem relações de parentesco.

Ahmadinejad se tornou alvo de companheiros linhas-duras depois de dizer que se opõem às ações sociais de inspeção de comportamento e vestimenta, principalmente femininos.

Em entrevista transmitida pela televisão na semana passada, ele disse ser "fortemente contra tais ações. É impossível que essas ações tenham sucesso."

Comentários publicados na quarta-feira por outro clérigo graduado, Ahmad Khatami, acusam Ahmadinejad de minar os esforços de combate à "corrupção". "O presidente em sua entrevista não valorizou a onda sagrada que defende o uso do véu e a castidade e ele a depreciou", disse Khatami ao jornal moderado Shargh.

O líder da facção clerical do Parlamento, Mohammad Taghi Rahbar, também interpretou os comentários de Ahmadinejad como "luz verde para vestimentas indecentes". "Aqueles que votaram em você são favoráveis ao uso correto do véu. Os ''verdes'', que usam mal o véu, não votaram em você. Então é melhor você considerar que o que agrada a Deus não agrada a uma série de pessoas corruptas", disse Rahbar, segundo o Shargh.

O Movimento Verde, do líder opositor Mir Hossein Mousavi, venceu entre os jovens urbanos iranianos ao prometer mais liberdades sociais na disputada eleição presidencial do ano passado, que reelegeu Ahmadinejad. As informações são da Dow Jones.

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