Clérigos no Paquistão pedem afastamento de Bento XVI

Cerca de 1.000 clérigos e acadêmicos muçulmanos reunidos no leste do Paquistão exigiram o afastamento do papa Bento XVI por ele ter feito "declarações insultuosas" contra o Islã, e advertiram o Ocidente sobre duras conseqüências caso não mude seu comportamento em relação ao Islã.O papa Bento XVI "deveria ser imediatamente afastado de sua posição por encorajar a guerra e provocar hostilidades entre diferentes religiões" e por "fazer declarações insultuosas" contra o Islã, afirma um comunicado conjunto divulgado pelo grupo ao fim de uma convenção de um dia em Lahore.O "papa, e todos os infiéis, devem saber que nenhum muçulmano, sob nenhuma circunstância, pode tolerar que o profeta Maomé seja insultado (...) Se o Ocidente não mudar seu comportamento em relação ao Islã, ele enfrentará severas conseqüências".O encontro, organizado pelo grupo radical Islamic Jamaat al-Dawat, foi realizado dias depois de o papa ter lamentado a revolta causada por suas declarações entre os muçulmanos.Na semana passada, na Alemanha, o papa citou um texto medieval que considera os ensinamentos do fundador do Islã "malignos e desumanos", como a orientação para espalhar o religião "pela espada". Mas no domingo, ele disse que o texto não refletia sua posição pessoal.Entretanto, os clérigos e acadêmicos religiosos de todo o Paquistão afirmaram no comunicado que, na verdade, o papa em momento nenhum pediu desculpas."O papa nem aceitou seu erro nem pediu desculpas por suas palavras", acrescentou. O comunicado também sublinha que jihad (guerra santa) não é terrorismo e que "o Islã não foi propagado com a espada, mas se tornou popular e foi aceito pelos povos oprimidos do mundo devido a seus valores e ensinamentos universais"."Jihad é travada para livrar uma região, um estado, ou o mundo da opressão, violência, crueldade e terrorismo, e trazer paz e alívio para as pessoas. A história está repleta de incidentes onde muçulmanos travaram a jihad a fim de oferecer alívio às pessoas de diferentes crenças, especialmente judeus e cristãos", acrescentou.O Paquistão é o segundo país muçulmano mais populoso do mundo, e diversos protestos foram realizados em várias cidades desde a publicação das declarações do papa sobre o Islã.O governo do Paquistão também condenou as palavras do pontífice.

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