Clérigos sauditas apóiam pedido de execução de escritores

Um grupo de clérigossauditas manifestou apoio ao colega que lançou uma fatwa(decreto islâmico) que afirma que dois colunistas merecemmorrer se não voltarem atrás em seus pontos de vista"infiéis". O xeque Abdul-Rahman al-Barrak, um dos mais reverenciadosclérigos do reino, lançou um fatwa na semana passada em queafirma que dois colunistas deveriam ser julgados por blasfêmiapor conta de "artigos heréticos" publicados no jornalal-Rayiadh e mortos caso não se retratem. Os autores questionaram a visão sunita na Árabia Saudita deque os adeptos de outros credos devem ser considerados infiéis.Barrak disse que isso implicaria que os muçulmanos seriamlivres para seguir outras religiões e que a sua fé estariaequiparada às outras. Um grupo de 20 clérigos, todos associados a Barrak, lançouum comunicado na terça-feira, pedindo a Deus que o apóie diantedo "ataque perverso" dos liberais com "crenças poluídas"."Nós reconhecemos o conhecimento do xeque sobre religião, assimcomo seu status na nação islâmica e confiamos em suasopiniões... A fatwa é baseada no Alcorão, o livro de Deus, e nocaminho do profeta", disseram eles em comunicado publicado naInternet. "As palavras do xeque foram claras. Ele colocou a questãonas mãos das autoridades seculares, ao dizer que deve haver umjulgamento. Afirmamos que deve haver um julgamento." Barrak que, segundo dizem, tem 75 anos, é visto pelosislâmicos como a maior autoridade independente do Wahhabismo, aversão mais dura do Islã sunita. Os reformistas liberais lutam contra os extremistas peladireção do país -- que, além de ser um aliado importante dosEstados Unidos, é o maior exportador de petróleo do mundo. "Na minha opinião, esta é a maior demonstração de força domovimento Wahhabi em um bom tempo", disse Ali al-Ahmad,oposicionista saudita que mora em Washington. A Arábia Saudita costuma executar traficantes de drogas,estupradores e assassinos. Todavia, são raros os pedidos deexecução de pessoas que expressam suas opiniões em público. Grupos de defesa dos Direitos Humanos acusam o Wahhabismode ter uma atitude xenófoba que demoniza outras religiões.

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