Clero paquistanês lamenta morte de presos estrangeiros

Clérigos paquistaneses lamentaram hoje a morte de centenas de prisioneiros estrangeiros na cidade do norte do Afeganistão, Mazar-i-Sharif, e anunciaram uma dia de luto nacional contra o que classificaram de ato bárbaro das forças dos Estados Unidos e anti-Taleban. "Não faz sentido que pessoas que se haviam rendido possam ter-se revoltado contra seus captores", disse Munawaar Hasan, secretário-geral do movimento fundamentalista islâmico Jamaat-i-Islami à Associated Press. "É uma desculpa esfarrapada para justificar o massacre de homens desarmados. Vamos observar um dia de luto na sexta-feira em respeito aos paquistaneses mortos".Hoje, confrontos irromperam novamente na fortaleza de muros de barro de Mazar-i-Sharif, onde de 300 a 700 estrangeiros pró-Taleban teriam sido mortos num levante contra seus captores da Aliança do Norte no dia anterior. Acredita-se que muitos dos prisioneiros eram paquistaneses, árabes e chechenos. A Aliança do Norte alegou que a revolta dos prisioneiros havia sido planejada e que eles contrabandearam armas para executar o que foi classificado como missão suicida. Aviões de combate americanos bombardearam partes da prisão para sufocar a revolta.O Paquistão, um aliado-chave das forças de coalizão na guerra contra o terrorismo, anunciou que estava buscando as causas que levaram às mortes dos prisioneiros. "Não está claro o que ocorreu", afirmou hoje o porta-voz do governo militar do Paquistão, general Rashid Quereshi. "Mas queremos que seja implementada a carta da ONU relativa ao tratamento de prisioneiros". ?As Nações Unidas, as forças da coalizão e a Cruz Vermelha deveriam supervisionar o tratamento dos prisioneiros?, acrescentou.Os estrangeiros foram feitos prisioneiros depois da rendição do Taleban na cidade nortista de Kunduz. Enquanto foi concedida anistia aos talebans afegãos, seus aliados árabes - paquistaneses e chechenos, muitos dos quais teriam vínculos com a rede Al-Qaeda, de Osama bin Laden - foram levados para serem interrogados em Mazar-i-Sharif. Mas Hasan disse que o assassinato dos prisioneiros foi planejado. "Hoje, as Nações Unidas e todos os grupos de direitos humanos estão em silêncio sobre o crime hediondo porque eles estão sob a influência dos EUA", afirmou. Partidos religiosos paquistaneses têm se oposto veementemente à decisão de seu governo de se aliar aos Estados Unidos na luta contra o Taleban. Hamid-ul Haq, líder do Conselho Afegão de Defesa, uma aliança de 35 grupos islâmicos, disse que um encontro de clérigos na cidade nortista de Peshawar condenou as mortes. O governo não foi capaz de representar a causa de seus cidadãos, afirmou. "A história do levante é difícil de acreditar. É uma mentira. Estamos chocados com o brutal assassinato".Leia o especial

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