Clima de insegurança no Haiti continua a apenas duas semanas da eleição

Reflexos de terremoto, epidemia de cólera e tempestade caracterizam o cenário pré-eleitoral no país

Luciana Fadon Vicente, do estadão.com.br

12 de novembro de 2010 | 11h35

Haitianos discutem em um dos poucos locais de fornecimento de água em Porto Príncipe.

 

SÃO PAULO - As eleições presidenciais do Haiti, marcadas para o próximo dia 28 de novembro, foram apontadas como históricas e decisivas para o futuro do país, mas a menos de duas semanas da votação, o clima de incerteza e insegurança prossegue no país caribenho.

 

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Os haitianos devem escolher não apenas o sucessor do atual presidente René Préval, mas também 11 dos 30 membros do Senado e todos os 99 deputados que compõem a Câmara. Para essas eleições, estão registrados 60 partidos, 19 candidatos presidenciáveis, 120 postulantes ao Senado e outros 900 à Câmara.

 

Porém, a grande quantidade de candidatos não reflete no número de eleitores. As autoridades estão se esforçando para que os cerca de 4,5 milhões de haitianos aptos a votar compareçam às urnas. No entanto, já é esperada uma grande abstenção no dia da votação. Estima-se que a abstenção neste ano seja de 60%, segundo o Coronel Silva Filho, do Centro de Comunicação Social do Exército, e que esteve no país no primeiro semestre de 2010.

 

Não será uma tarefa fácil diminuir o índice de abstenções. Atualmente há no país 1,5 milhões de deslocados internos vivendo em pelo menos 1,3 mil acampamentos por todo o território haitiano. São pessoas que perderam tudo durante o terremoto que devastou o país e matou pelo menos 300 mil haitianos em janeiro deste ano. Muitas dessas pessoas, e mesmo outras que não estão nos abrigos, continuam sem identidade até o momento, o que dificulta a identificação dos que ainda não se registraram para votar.

 

Mais recentemente, o Haiti foi afetado por um grave surto de cólera que começou em outubro e matou até esta sexta-feira pelo menos 724 pessoas, além de ter infectado outros 11 mil. A passagem do furacão Tomas, que tirou a vida de 20 haitianos e deixou outras 6 mil famílias desabrigadas, levantou mais preocupações quanto ao atual surto de cólera e chegou a colocar em pauta um possível adiamento das eleições. A ideia, porém, foi prontamente rejeitada pelo representante da atual missão da ONU no país (MINUSTAH), Edmond Mulet, que garantiu que o pleito acontecerá de fato no dia 28 de novembro.

 

Outro fator preocupante é a violência durante as votações. O Haiti possui um histórico de eleições violentas: dos 13 pleitos realizados desde 1987, quando foi aprovada a nova Constituição, apenas duas foram consideradas pacíficas, de acordo com a International Crisis Group.

 

As autoridades do país, juntamente com o Conselho Eleitoral Provisório (CEP), que coordena as eleições, dizem que há maior necessidade de observadores para ajudar no combate à violência e à fraude durante as eleições. No entanto, o próprio CEP é visto pela oposição e por alguns grupos civis como um mecanismo do presidente Préval reter sua influência mesmo após sua saída do governo.

 

Até o momento não há um franco favorito para o cargo presidencial, o que levaria o país novamente às urnas para um segundo turno no dia 16 de janeiro de 2011, pouco depois do aniversário de um ano do terremoto que devastou boa parte do Haiti.

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