Dolores Ochoa / AP
Dolores Ochoa / AP

Clima de polarização precisa ser encerrado com a votação; leia análise

Há uma vontade geral de começar a curar feridas (agravadas pelas eleições), porque a crise econômica e social é profunda e foi exacerbada pela covid-19

Pablo Romero Guayasamín, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2021 | 05h00

É preciso lembrar que, ao longo dos dez anos do governo de Rafael Correa, abriu-se uma grande fratura social no Equador: a polarização atingiu níveis de ódio e confronto entre os equatorianos, alimentados pelo discurso oriundo do poder. Essa fratura marcou toda a campanha eleitoral deste ano e foram feitas tentativas de polarizá-la ainda mais.

No entanto, essa dinâmica também provocou um desgaste porque, desde a candidatura do herdeiro político do correísmo, Andrés Arauz, o ex-presidente Correa indicou que voltaria para se vingar “dos traidores”.

O ambiente estava um pouco tenso por causa dos resultados e a sensação era a de que seria importante sair dessa fratura agora, independentemente de quem ganhasse a presidência. Então, o que muda neste momento, uma vez fechadas as urnas, é sair daquela ansiedade social em que nos encontramos durante esse período. E há uma vontade geral de começar a curar feridas (agravadas pelas eleições), porque a crise econômica e social é profunda e foi exacerbada pela covid-19. Nessa perspectiva, há vozes cidadãs apontando para a necessidade de definir objetivos comuns e caminhar na mesma direção.

Com a vitória do ex-banqueiro Guillermo Lasso, a primeira coisa que muda é que o correísmo sofrerá um forte abalo, pois o resultado significa não apenas o fim da possibilidade de a justiça rever os processos judiciais contra Correa – que não pode se candidatar nesta eleição, como desejava –, mas também o encerramento de seu futuro político, embora o correísmo como tal se mantenha, ainda que não com a força destes últimos anos.

Deve-se notar que os votos com os quais Lasso se elegeu não se deram exatamente por sua causa, mas sim por rejeição a Arauz (e principalmente a Correa). / TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

PROFESSOR E ANALISTA POLÍTICO EQUATORIANO 

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