Clima tenso faz China descartar encontro com Japão

O governo chinês afirmou nesta terça-feira que a atmosfera "não está propícia" para um encontro entre os primeiros-ministros de China e Japão, nos intervalos de um encontro das Nações Unidas em Nova York. Os dois países asiáticos estão envolvidos em um impasse, após um incidente naval. "Obviamente, a atmosfera não é propícia para um encontro do tipo", disse uma porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, ao ser questionada sobre se o primeiro-ministro Wen Jiabao e o premiê japonês, Naoto Kan, poderiam se reunir nos Estados Unidos nesta semana, durante reunião da ONU.

AE, Agência Estado

21 de setembro de 2010 | 11h04

A China condenou a prisão de um capitão de um navio chinês pela guarda costeira japonesa, ocorrida há duas semanas. Pequim convocou o embaixador japonês seis vezes para tratar do tema e cancelou várias visitas e negociações planejadas. A porta-voz chinesa pediu novamente a libertação imediata do capitão. O Japão pediu nesta terça-feira que todas as partes evitem o "nacionalismo extremado" para se resolver o impasse, o pior entre os dois países em anos. O capitão chinês é acusado de provocar dois acidentes com navios da guarda costeira japonesa de propósito e Tóquio insiste em seguir os procedimentos legais regulares no caso.

Enquanto isso, o governador metropolitano de Tóquio (cargo equivalente a prefeito), o conservador Shintaro Ishihara, disse nesta terça-feira que cancelou uma visita a Pequim. Um político ferrenhamente anticomunista, Ishihara chegou a comparar o comportamento da China com o de membros da "Yakuza", a máfia japonesa. O governador pediu que o governo japonês tome "medidas ativas" na disputa. "Eu nunca irei à China, para um país como este", afirmou ele, que tinha previsto fazer uma visita entre os dias 12 e 13 de outubro ao país, quando Pequim sediará um fórum de prefeitos de 45 cidades pelo mundo.

"Por que o governo não toma medidas ativas? Por exemplo, se um submarino japonês entrar em águas territoriais da Coreia do Sul, da Coreia do Norte ou da China, ele será bombardeado. Por que o Japão não faz isso?", questionou Ishihara, segundo o jornal conservador Sankei Shimbun. Apesar da tensão bilateral, os dois líderes dos países se reunirão em separado com o presidente dos EUA, Barack Obama, quando a tensão bilateral deverá ser discutida.

A disputa também está interferindo em outras áreas. A banda pop japonesa SMAP cancelou dois shows previstos para a China no mês que vem, após um agente chinês suspender a venda de ingressos no fim de semana. A previsão era de que os shows reunissem cerca de 80 mil fãs, durante a Expo Xangai, nos dias 8 e 9 de outubro. Já no campo esportivo, o presidente da Associação Japonesa de Futebol, Junji Ogura, disse temer que ocorram vaias durante a execução do hino nacional do país, em um torneio sub-19 marcado para novembro na China. Ele disse que trabalhará com as autoridades esportivas chinesas para evitar que a tensão política se dissemine para a arena esportiva. As informações são da Dow Jones.

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