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Clinton e jornalistas libertadas por Pyongyang chegam aos EUA

Americanas condenadas a 12 anos de trabalho forçado são perdoadas após reunião entre Kim e ex-presidente

05 de agosto de 2009 | 09h20

O ex-presidente Bill Clinton e duas jornalistas americanas chegaram na manhã desta quarta-feira, 5, aos Estados Unidos para uma esperada reunião das repórteres com familiares e amigos. As jornalistas Euna Lee e Laura Ling obtiveram perdão do governo norte-coreano na terça-feira, depois de Clinton ter viajado sigilosamente à Coreia do Norte para negociar as libertações. O presidente Barack Obama saudou a "extraordinária" tarefa desempenhada por Clinton para garantir o retorno das americanas.

 

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O presidente norte-coreano, Kim Jong Il, comutou as penas de 12 anos de trabalhos forçados às quais as duas foram condenadas por terem entrado ilegalmente no país no início do ano, quando realizavam uma reportagem na fronteira entre a China e a Coreia do Norte, para a Current TV, empreendimento midiático do ex-vice-presidente americano Al Gore.

 

Vestindo calça jeans e camisetas, as duas pareciam bem de saúde quando subiam no avião e cumprimentavam o ex-presidente americano. Clinton colocou sua mão sobre o coração e então fez uma saudação final às autoridades norte-coreanas no aeroporto. Da pista do aeroporto, funcionários norte-coreanos acenavam enquanto o avião partia. Matt McKenna, porta-voz de Clinton, disse que a aeronave deixou de Pyongyang e seguia com destino a Los Angeles, onde Euna Lee e Laura Ling se reuniriam com familiares e amigos.

 

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, comemorou a libertação da dupla. "Eu conversei com meu marido por telefone e tudo correu bem", disse Hillary a jornalistas em Nairóbi, onde participa de uma conferência comercial EUA-África. Segundo o jornal americano The New York Times, Hillary também estava profundamente envolvida no caso, e propôs o envio de várias pessoas ao país, incluindo o ex-vice-presidente e dono do canal de TV em que as jovens trabalhavam, Al Gore, para negociar a soltura antes que Clinton surgisse como a escolha dos norte-coreanos. Há cerca de dez dias, Gore pediu para que Clinton fosse até Pyongyang, desde que a administração Obama concordasse.

 

Segundo uma autoridade norte-americana, Clinton não prometeu nenhuma recompensa ao governo de Pyongyang para conseguir a libertação. A fonte disse que Clinton conversou com o líder norte-coreano sobre "as coisas positivas que podem acontecer" a partir da libertação de Laura e Euna. A fonte do governo Obama não deu mais detalhes, mas alguns analistas especularam que a visita de Clinton e as negociações com o líder norte-coreano Kim Jong-il podem abrir as portas para a retomada das conversações sobre o desarmamento da Coreia do Norte.

 

"O presidente Clinton deixou claro que essa era uma missão humanitária puramente particular", disse a autoridade dos EUA a jornalistas em Washington, após Kim ter perdoado as jornalistas e permitido que elas voltassem a Los Angeles com Clinton. A Coreia do Norte havia concordado antes da viagem de Clinton que a visita do ex-presidente não teria ligação com a questão nuclear, disse a autoridade, falando sob condição de anonimato.

 

Texto atualizado às 9h58.

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