Gene J. Puskar/AP
Gene J. Puskar/AP

Clinton pede votos para Obama na Pensilvânia

Ex-presidente faz campanha em Estado onde democratas lideravam com folga

Denise Chrispim Marin, enviada especial a Chicago,

06 de novembro de 2012 | 08h00

CHICAGO - Na última hora, a Pensilvânia resolveu dar trabalho para a campanha de reeleição do democrata Barack Obama. Com um desempenho cada vez melhor de seu rival republicano, Mitt Romney, nesse Estado tradicionalmente indeciso, Obama – com sua agenda já tomada com comícios em outros pontos estratégicos – encarregou o ex-presidente dos EUA Bill Clinton de atrair votos indecisos e de democratas frustrados. A vitória na Pensilvânia vale 20 delegados no Colégio Eleitoral, a instância de decisão final e indireta.

Segundo o diretor da campanha de Obama, Jim Messina, Clinton tem o poder de validar a política econômica conduzida e prometida pelo presidente. Sua voz e presença foram aproveitadas na Pensilvânia nessa exata linha. "Quem tem mais condições de recuperar a classe média? Eu acho que é o candidato que deixou de lado a campanha e foi trabalhar no desastre causado pelo Furacão Sandy com democratas e republicanos", instigou Clinton, referindo-se à habilidade do presidente em cooperar com o republicano Chris Christie, governador de Nova Jersey, e com o independente Michael Bloomberg, prefeito de Nova York, na semana passada.

Clinton comprometeu-se a fazer quatro comícios ontem na Pensilvânia – em Pittsburg, Montgomery County, Filadélfia e em Scranton, onde se encontraria com o vice-presidente, Joe Biden, nascido nessa cidade. Obama não pisa nesse Estado desde julho passado. No início de outubro, a Pensilvânia já era considerada um Estado eleitor de Obama, conforme as pesquisas de opinião. Mas essa situação degringolou desde o primeiro debate presidencial, em 3 de outubro, quando o presidente mostrou-se apático e deixou Romney prevalecer.

"O povo da América entende que nós estamos tomando de volta a Casa Branca porque nós vamos vencer na Pensilvânia", disse Mitt Romney no Estado no domingo.

Em uma eleição extremamente disputada, perder na Pensilvânia seria um erro difícil de contornar. Os cálculos do Real Clear Politics mostram Obama com 49,3% das intenções de voto, contra 45,4% de Romney. A diferença de 3,9 pontos porcentuais está na margem de erro, o que os torna tecnicamente empatados. Obama tem 201 delegados no Colégio Eleitoral, enquanto o republicano, 191. Para vencer, é preciso ter 270.

Clinton tornou-se nesta campanha o mais importante cabo eleitoral de Obama. Nos últimos três dias, o ex-presidente repetiu o mesmo bordão aos eleitores democratas de Flórida, Virgínia, New Hampshire, de Minnesota e Pensilvânia. "Como vocês podem ver, eu dei a minha voz em serviço do meu presidente", afirmou em cada ocasião, provando chá preto com mel para aliviar a tosse em cada pausa. No sábado, na Virgínia, Obama o chamara de "o mestre".

Na convenção do partido em Charlotte, no início de setembro, seu discurso foi o mais celebrado e aplaudido. Seu apoio a Obama, entretanto, foi interpretado como um acerto para o lançamento da candidatura de sua mulher, Hillary Clinton, atual secretária de Estado do governo Obama, à Casa Branca em 2016. Hillary, recentemente, voltou a negar seu interesse por competir por cargos eleitorais depois da conclusão do mandato de Obama.

 

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