Coalizão bombardeia refinarias de jihadistas na Síria

Ataques aéreos lançados pela coalizão liderada pelos Estados Unidos atingiram três refinarias na Província de Raqqa, Síria, na manhã de ontem, num ataque cujo objetivo era enfraquecer os militantes do Estado Islâmico (EI), informou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos com sede na Grã-Bretanha. A entidade acrescentou que os ataques ocorreram pouco depois da meia-noite e atingiram também uma fábrica de plástico.

ISTAMBUL, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2014 | 02h01

Os combatentes do EI controlam o petróleo produzido no leste da Síria e montaram pequenas e precárias refinarias para destilar o petróleo bruto e transformá-lo em combustível, uma de suas principais fontes de recursos. Uma destas refinarias de porte médio, montada em caminhões, pode refinar até 200 barris de petróleo por dia, transformando-o em combustível e outros produtos.

Desde o início dos ataques na Síria, o EI recebeu apoio de radicais islâmicos, até mesmo de grupos rivais. Dezenas de combatentes deixaram a Frente al-Nusra, ligada à Al-Qaeda, e outros grupos na Síria para se unir ao EI.

A Frente al-Nusra, que também teve várias de suas instalações atingidas nos bombardeios da coalizão e sofreu inúmeras baixas, vem sendo submetida a uma crescente pressão dos próprios integrantes para entrar num acordo com o EI e combater o que chama de uma campanha dos novos "cruzados" contra o Islã.

Ontem, o líder da Al-Nusra, Abu Mohammed al-Golani, prometeu que seu grupo usará "todos os meios possíveis" para retaliar os ataque lançados pelos países árabes e ocidentais que fazem parte da coalizão. Ele advertiu que o conflito pode chegar aos países ocidentais que estão apoiando a aliança.

"Não é uma guerra contra a Frente al-Nusra, é uma guerra contra o Islã", afirmou um porta-voz do grupo, Abu Firas al-Suri, em uma mensagem divulgada pela mídia social do grupo.

Os rebeldes sírios e analistas advertiram que atacar a Al-Nusra criará mais caos no conflito sírio e indiretamente ajudará o ditador Bashar Assad, ao atingir um de seus principais adversários.

Os ataques aéreos não conseguiram, até agora, deter o avanço dos combatentes do EI sobre a cidade curda de Kobani, na Síria, perto da fronteira com a Turquia, que está sendo sitiada em três lados pelo grupo.

No sábado, a coalizão ocidental bombardeou posições do EI ao redor da cidade, numa ação que foi saudada por Asya Abdullah, representante do alto escalão do partido político dominante na Síria, o Partido da União Democrática (PYD)curdo. Ela declarou que os curdos estão dispostos a colaborar com a aliança e instou a Turquia a lhes fornecer armas. / REUTERS e AP

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